sábado, 28 de junho de 2008

Ética na Investigação

A realização de qualquer investigação implica por parte do investigador o cumprimento de normas e princípios éticos geralmente aceites pela comunidade científica. Alguns desses códigos são fruto de considerável reflexão.
Pretendem, por um lado, sensibilizar os investigadores para dilemas e questões morais com as quais se podem defrontar ao longo da investigação e, por outro, funcionar mais ou menos como forma de protecção dos investigadores ao tomarem-se como um repositório de normas de conduta.
Segundo Costa (2004)*, a complexidade de um simples problema de investigação pode levantar múltiplas questões de comportamento apropriado. Os problemas éticos resultam de conflitos de valores, envolvendo elementos pessoais e profissionais, tanto com o objecto de investigação como com a condução da mesma.
Os problemas éticos podem relacionar-se tanto com a ciência em si como com a investigação.
Cada etapa da investigação pode ser uma fonte potencial de problemas éticos que podem resultar: da própria natureza do projecto; do contexto da pesquisa; dos procedimentos a adoptar; dos métodos de recolha de dados; da natureza dos participantes; do tipo de dados recolhidos e do que se irá fazer com os dados obtidos.

Estão directamente relacionados com o respeito pelos direitos dos participantes no estudo:
- A não receber dano, isto é, a não serem prejudicados, sabendo-se previamente avaliar o prejuízo potencial do estudo;
- Direito de conhecimento pleno, ou de informação completa sobre o estudo, sobre a natureza, o fim e a duração da investigação para a qual é solicitado a participação da pessoa, assim como os métodos utilizados no estudo;
- Direito de autodeterminação, baseia-se no princípio ético do respeito pelas pessoas, segundo o qual qualquer pessoa é capaz de decidir por ela própria e tomar conta do seu próprio destino. Decorre deste princípio que o potencial sujeito tem o direito de decidir livremente sobre a sua participação ou não nesta investigação; aliás, tem o direito de decidir por si mesmo se participa ou não, sem coacção, e deve ser assegurado o direito a negar-se livremente.
- Direito à intimidade – inclui poder negar-se a responder a algumas questões, a saber protegida a identidade do sujeito e à confidencialidade da informação que partilharam. Qualquer investigação junto de seres humanos constitui uma forma de intrusão na vida pessoal dos sujeitos – e a pessoa é livre de decidir sobre a extensão da informação a dar ao participar numa investigação e a determinar em que medida aceita partilhar informações íntimas e privadas.
- Direito ao anonimato e à confidencialidade – isto é, os dados pessoais não podem ser divulgados ou partilhados sem autorização expressa do sujeito e a identidade do sujeito não pode ser associada ás respostas individuais. Os resultados devem ser apresentados de forma que nenhum dos participantes no estudo possa ser reconhecido.

Do ponto de vista metodológico, a investigação qualitativa reporta-se à inserção num contexto naturalista e é particularmente útil para a investigação de questões ligadas à vida das pessoas e aos significados que as mesmas atribuem ao mundo pois o conhecimento que se busca é relativo ao como ocorrem as experiências quotidianas e quais os seus significados para os sujeitos. Neste sentido, é preciso assegurar os princípios éticos, numa investigação de carácter qualitativo.

Ética na investigação prende-se também com as regras de publicação e divulgação dos resultados. O investigador deve ter presente os seguintes princípios que o obrigam a:
- Fazer uma rigorosa explicitação das fontes utilizadas;
- Ser autentico na redacção do relatório, no que respeita aos resultados que apresenta e às conclusões a que chegar
- Fidelidade em relação aos dados recolhidos e aos resultados a que chega;
- Não enviesamento das conclusões


(*) http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/mi1/margaridaproblemaseticos.pdf

"Não há nada mais devastador para um profissional do que ser acusado de uma prática pouco ética. "
Bogdan & Biklen

Validade e Fiabilidade ( fidelidade)


Segundo Azevedo e Azevedo (2000, p.28) o respeito pelos reais resultados duma investigação é um contributo importante para o progresso da ciência
Os processos de recolha de informação, no domínio científico, são fundamentais para garantir a “verdade” dos resultados de determinado estudo.
Para garantir o rigor dos dados recolhidos e das conclusões da investigação, é necessário que esta possua duas características fundamentais: a validade e a fidelidade.

A Validade

Tuckman (2000, p.8) refere dois tipos de validade: validade interna e validade externa.
Segundo ele, um estudo tem validade interna quando o “seu resultado está em função do programa ou abordagem a testar” e tem validade externa “se os resultados obtidos forem aplicáveis no terreno a outros programas ou abordagens similares” (p.8).
A validade externa está directamente ligada à confiança nos resultados da investigação, a fim de ser possível generalizá-los. “A validade externa tem pouco valor sem um razoável grau de validade interna, dando confiança às nossas conclusões, antes de tentarmos generalizá-las” (p.9).
Num projecto de investigação é necessário procurar o ponto de equilíbrio entre os dois tipos de validade. Assim, o investigador deverá procurar atingir um nível satisfatório de validade interna, para que a investigação possa ser conclusiva. Simultaneamente deverá tentar que ela se mantenha integrada na realidade em estudo, para ser representativa e generalizável, isto é, ter validade externa.
A validade de um teste refere-se ao facto do teste medir aquilo que se propõem. A falta de validade provoca uma distorção por instrumentação. Segundo Tuckman (2000, p.259-262) um teste deverá ser avaliado de forma a verificar se responde a alguns tipos de validade:
- Validade preditiva – que consiste em comparar os resultados do teste com um performance efectiva que é predita por esse teste;
- Validade concorrencial – que consiste em comparar os resultados do teste com os de outro teste que tem como objectivo medir a mesma característica;
- Validade de construção – que consiste em comparar os resultados do teste com um comportamento que, por hipótese, está relacionado com ele;
- Validade de conteúdo – que consiste em comparar o conteúdo do teste com as especificações que se consideram abrangidas pelo teste.

A Fidelidade

A fidelidade de um teste refere-se à sua consistência. Para os testes, e para garantir a sua fidelidade, Tuckman (2000, p.256-259) propõe quatro processos:
- Fidelidade por teste-reteste – Dar o mesmo teste às mesmas pessoas, em ocasiões diferentes, e proceder à comparação da performance de cada uma delas.
- Fidelidade pela utilização de formas alternativas – Faz-se através da “administração de uma forma alternativa do teste (ou seja, diferente, mas com os mesmos objectivos), às mesmas pessoas”. Para isto, são necessários testes diferentes mas que sejam equivalentes.
- Fidelidade pela divisão-a-meio – “Divide-se um teste em duas metades, (...) e então estabelece-se uma correlação entre as pontuações obtidas por cada pessoa, em cada uma das metades.” Isto permite saber se ambas as metades do teste medem os mesmos atributos ou características.
- Fidelidade pela forma de Kuder-Richardson – Esta fórmula é equivalente à média de todos os possíveis coeficientes de fidelidade por divisão-a-meio.

Segundo Tuckman (2000, p.561) os coeficientes de fidelidade dos testes deverão situar-se em 0,75 e acima deste valor para os testes de realização. Para os testes de atitudes deverão ser iguais ou superiores a 0,50.

O respeito pela validade e pela fidelidade, garantem ao investigador a qualidade do resultado do seu trabalho. Uma investigação de carácter científico poderá, assim, ser olhada com respeito, e servir de base para futuros estudos. Assim,(...) o processo e as metodologias são eles próprios transmissíveis, dando aos outros investigadores a possibilidade de os contestarem e fazerem a aferição da sua validade científica” (Tuckman, 2000, p.19).

Referências Bibliográficas
Tuckman, B. (2000). Manual de Investigação em Educação. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Azevedo, Carlos A.M. & Azevedo, Ana G. (2000). Metodologia Científica – Contributos Práticos Para a Elaboração de Trabalhos Académicos. Lisboa: Universidade Católica.

Fica a referência a um artigo muito interessante sobre as questões de validade e fiabilidade em investigação qualitativa.

http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/7884/1/005a015_ART01_Coutinho%5brev_OK%5d.pdf


Resumo: Este artigo tem como objectivo principal sensibilizar a comunidade de investigadores na área das Ciências da Educação para a necessidade da adopção de critérios específicos para a aferição da qualidade científica dos estudos de natureza interpretativa. Nesse sentido, definidos os conceitos básicos, equacionaremos a perspectiva de diferentes autores relativamente à polémica questão da necessidade (ou não) de se aferirem standards de rigor para a avaliação da qualidade científica de estudos qualitativos, posição que defendemos incondicionalmente. Por último, serão apresentadas “estratégias de verificação” que, se adoptadas pelo investigador no decurso de uma pesquisa qualitativa, podem ajudar a garantir a credibilidade dos resultados obtidos e a qualidade científica do estudo realizado.

domingo, 22 de junho de 2008

A prática da análise de conteúdo

A análise de conteúdo compreende as seguintes etapas, de acordo com Carmo e Ferreira (1998):

1- Definição dos objectivos e do quadro de referência teórico

2- Constituição de um "corpus"
O "corpus" é o conjunto dos documentos escolhidos para se proceder posteriormente à análise de conteúdo. A sua seleccção deve ter em atenção regras como: a exautividade, a representatividade, a homogeneidade e a pertinência.

3- Definição das categorias
As categorias são "rubricas significativas, em função das quais o conteúdo será classificado e eventualmente quantificado. A sua definição poderá ser feita à priori ou à posteriori.
As categorias devem ter as seguintes características: devem ser exaustivas, exclusivas, objectivas e pertinentes.

4- Definição das unidades de análise
São constituídas as seguintes unidades de análise:
-> de registo - segmento mínimo de conteúdo a analisar: palavra, frase, título, personagem, tema,...
-> de contexto - segmento mais longo de conteúdo que o investigador considera quando caracteriza uma unidade de registo. É importante considerar a unidade de contexto para assegurar a fidelidade e a validade da análise. Unidades de registo e de contexto longas levantam dificuldades à sua valiadação interna.
-> de enumeração - é a unidade em função da qual se procede à quantificação. Dizem respeito ao tempo e ao espaço: minutos de registo, parágrafo, linha,...

5- Quantificação
A utilização de software específico ajuda grandemente nesta tarefa. São exemplo deste software o AnSWR, ATLAS, Ethnograph, Hyperresarch, Nvivo, NUD-IST,...

6- Interpretação dos resultados
Realizada à luz dos objectivos e do suporte teórico.

Referências Bibliográficas
Carmo, H.; Ferreira, M. M. (1998). Metodologia da Investigação - guia para auto-aprendizagem. Lisboa:Universidade Aberta.

Análise qualitativa dos dados


A análise de conteúdo incide sobre mensagens tão variadas como obras literárias, artigos de jornal, documentos oficiais, actas de reuniões, relatórios de entrevistas pouco directivas,...

Os aspectos formais da comunicação são considerados como indicadores da actividade cognitiva do locutor, dos significados sociais ou políticos do seu discurso ou do uso social que faz da comunicação.

Berelson, citado por Carmo e Ferreira (1998), define a Análise de Conteúdo como "uma técnica de investigação que permite fazer uma descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações, tendo por objectivo a sua interpretação."
Objectiva - porque a análise deve ser efectuada de acordo com determinadas regras, obedecer a instruções suficientemente claras e precisas para que investigadores diferentes, trabalhando sobre o mesmo conteúdo, possam obter os mesmos resultados.
Sistemática - porque a totalidade do conteúdo deve ser ordenado e integrado em categorias previamente escolhidas em função dos objectivos que o investigador quer atingir.
Quantitativa - uma vez que a maior parte das vezes é calculada a frequência dos elementos considerados significativos.

Bardin, segundo os mesmos autores, refere que a análise de conteúdo não deve ser utilizada apenas para se prceder a uma descrição do conteúdo das mensagens, pois a sua principal finalidade é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção (ou eventualmente de recepção), com a ajuda de indicadores (quantitativos ou não).

Tipos de análise de conteúdo
referidas por Quivy e Champenhoudt (1992:226), a partir de Bardin:

Análises temáticas: são as que tentam principalmente revelar as representações sociais ou os juízos dos locutores a apartir de um exame de certos elementos constitutivs do discurso.
-> análise categorial - consiste em calcular e comparar as frequências de certas características previamente agrupadas em categorias significativas. baseia-se na hipótese segundo a qual uma característica é tanto mais frequentemente citada, quanto mais importante for para o locutor.
-> análise da avaliação - incide sobre os juízos formulados pelo locutor. É calculada a frequência dos diferentes juízos, mas também a asua direcção e a sus intensidade.
Análises formais: são as que incidem principalmente sobre as formas e encadeamento do discurso.
-> análise da expressão - incide sobre a forma da comunicação, cujas características (vocabulário, tamanho das frases, ordem das palavras, hesitações,...) facultam informação sobre o estado de esprírito do locutor e suas tendências ideológicas.
-> análise da enunciação - incide sobre o discurso concebido como um processo cuja dinâmica própria é, em si mesma, reveladora. O investigador está então atento a dados como o desenvolvimento geral do discurso, a ordem das suas sequ~encias, as repetições, as quebras do ritmo,...
Análises estruturais: são as que põem a tónica sobre a maneira como os elementos da mensagem estão dispostos. Mais do que as outras, tentam revelar aspectos subjacentes e implícitos da mensagem.
-> análise de co-ocorrência - examina as associações de temas nas sequ~encias da comunicação. parte-se do príncipio de que as co-ocorrências entre temas informam o investigador acerca de estruturas mentais e ideológicas ou acerca de preocupações latentes.
-> análise estrutural propriamente dita - o objectivo é revelar os príncipios que organizam os elementos do discurso, independentemente do próprio conteúdo destes elementos.


Referências Bibliográficas
Carmo, H.; Ferreira, M. M. (1998). Metodologia da Investigação - guia para auto-aprendizagem. Lisboa:Universidade Aberta.
Quivy, R.; Campenhoudt, L. (1992). Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa:Gradiva.

A escolha do teste estatístico adequado

O objectivo de um teste estatísitico é verificar se os dados recolhidos de duas ou mais amostras são equivalentes e, além disso, determinar a possibilidade de quaisquer diferenças entre elas serem devidas a flutuações ocasionais. Para escolher a estatística adequada, há que determinar, em primeiro lugar, o número de variáveis independentes e dependentes, que considera na sua investigação. Determine, em seguida, quais dessas variáveis são nominais, ordinais, ou de intervalos. (Tuckman, 2005:378-379)

O quadro abaixo, proposto pelo mesmo autor fornece orientações para a escolha do teste estatístico.

Hill e Hill (2000:210-213), oferecem no seu livro conselhos práticos também para uma escolha da técnica estatística adequada.
Outra sugestão de apoio para esta tarefa encontra-se em http://www.vademecum.com.br/iatros/Testes.htm

Referências Bibliográficas
Hill, M. M.;Hill, A. (2000). Investigação por questionário. Lisboa:Edições Sílabo.
Tuckman, B. W. (2005). Manual de Investigação em Educação. Lisboa:Fundação Calouste Gulbenkian.

Análise quantitativa de dados

É adequado, por definição, a todas as investigações orientadas para o estudo das correlações entre fenómenos susceptíveis de serem exprimidos por variáveis quantitativas. por conseguinte, estes métodos são geralmente muito bem adequados a investigações conduzidas numa perpectiva de análise causal. Mas não é, de modo algum, exclusivo desta: grandes sociólogos utilizara estes métodos em perpectivas muito diferentes.

A análise estatítica dos dados impõe-se em todos os casos em que estes últimos são recolhidos por meio de um inquérito por questionário. É então necessário reportarmo-nos aos objectivos para os quais é adequado este método de recolha dos dados. ( Quivy e Champenhoudt, 1992:222)


Estatística descritiva vs Estatística inferencial

Uma estatística descritiva descreve, de forma sumária, alguma caracter´sitica de uma ou mais variáveis fornecidas por uma amostra de dados. As estatísticas descritivas mais vulgares são, talvez, as medidas de tendêcia central, nomeadamente, o valor médio, a mediana e a moda. O descio padrão, a variâcia, e o intervalo inter-quartil também são estatíiticas descritivas porque dão uma descrição sumária da variação dos valores de uma variável. Todos os coeficientes de correlação são esataísticas decritivas na medida em que resumem a relação entre os valores de duas variáveis. (Hill e Hill,2000:192)

A estatística inferencial permite avaliar o papel de factores ligados com o acaso quando se está a tirar conclusões a apartir de uma ou mais amostras de dados.

Segundo Hiil e Hill (2000), as técnicas estatísticas podem ser classificadas de várias maneiras, por exemplo:
- técnicas paramétricas e técnicas não-paramétricas;
- técnicas que trata de diferenças entre amostras de casos, e técnicas que tratam da relação entre variáveis (para uma só amostra de casos);
- técnicas univariadas, técnicas bivariadas e técnicas multivariadas.

Técnicas paramétricas e técnicas não-paramétricas

Há um grupo de testes estatísticos, designados paramétricos, que se baseia nas medidas intervalares da variável dependente. Ou seja, a variável dependente é um parâmetro ou característica quantitativa de uma população(Winer, 1971). A utilização destes testes exige que sejam satisfeitos os seguintes pressupostos:
- a distribuição é normal;
- a variância é homogénea;
- os intervalos são contínuos e iguais.
Quando comparados com os testes paramétricos, os não-paramétricos requerem menos pressupostos para as distribuições. Não exigem uma distribuição normal, nem variãncias iguais nos grupos. Baseiam-se em dados ordinais e nominais e são muito úteis para cálculos rápidos. São também úteis para as amostras grandes, em que os pressupostos paramétricos não se verifiquem, e para amostras muito pequenas, e ainda para investigações que envolvam hipóteses cujos processos de medida são ordinais. (Tuckman, 2005:374).

Exemplos de testes paramétricos : o teste t, a análise de variância, a correlação (do tipo Pearson) e a regressão linear.

Exemplos de testes não-paramétricos: o teste do qui-quadrado, o teste de Wilcoxon, o teste entre medianas, e a correlação (do tipo Spearman).


Referências Bibliográficas
Hill, M. M.;Hill, A. (2000). Investigação por questionário. Lisboa:Edições Sílabo.
Quivy, R.; Campenhoudt, L. (1992). Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa:Gradiva.
Tuckman, B. W. (2005). Manual de Investigação em Educação. Lisboa:Fundação Calouste Gulbenkian.

Análise de Dados



A etapa da investigação correspondente à análise de dados compreende diversas operações que, segundo Quivy e Champenhoudt (1992), são agrupadas em três:
- a descrição e a preparação (agregada ou não) dos dados na forma exigida pelas variáveis implicadas nas hipóteses e de maneira que as características dessas variáveis sejam claramente evidenciadas pela descrição;
- a análise das relações entre as variáveis;
- a comparação dos resultados observados com os resultados esperados a partir da hipótese.

A maior parte dos métodos de análise de dados depende de uma de duas grande categorias: a análise estatística dos dados e a análise de conteúdo, consoante a definição do tipo de instrumento utilizado na etapa de recolha de dados.


Referências Bibliográficas
Quivy, R.; Campenhoudt, L. (1992). Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa:Gradiva.

A Investigação-Acção II


“A Investigação-acção é um excelente guia
para orientar as práticas educativas, com o
objectivo de melhorar o ensino e os
ambientes de aprendizagem na sala de aula.”
R. Arends


O contributo da Investigação-acção na prática educativa pode e deve levar a uma participação mais activa do professor, como agente de mudança.
A estratégia mais eficaz para que ocorram as necessárias mudanças na comunidade educativa será o envolvimento de todos os intervenientes, numa dinâmica de acção-reflexão-acção. Neste sentido, a Investigação-acção surge como uma metodologia eficaz.
Nesta perspectiva, e na opinião de Froufe Quintas (1998), a Investigação-acção pode ajudar o professor/educador a “desenvolver estratégias e métodos” para que a sua actuação seja mais adequada, bem como, “propiciar técnicas e instrumentos de análise da realidade, assim como formas de recolha e análise de dados.”

A Investigação-Acção pode orientar o desenvolvimento profissional dos professores.
Estudos têm revelado que os professores são mais receptivos a mudanças de comportamentos, atitudes e práticas se estiverem envolvidos numa investigação que, para além de provar que é necessária uma alteração dos mesmos, também demonstra que tal é exequível.

Consideram-se os seguintes efeitos de um processo de Investigação-Acção na prática educativa do professor:
- altera a concepção das suas capacidades e do papel que desempenha;
- aumenta a auto-confiança e a auto-valorização;
- aumenta a tomada de consciência dos problemas da sala de aula;
- aumenta a disposição para a auto-reflexão;
- altera os seus valores e crenças;
- promove a congruência entre teorias da prática e a sua aplicabilidade prática;
- alarga as suas perspectivas em relação ao processo de ensino e aprendizagem e à sociedade em geral.