quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vantagens e desvantagens da recolha de dados através de questionário

Vantagens

- É útil para diversos tipos de investigação;
- Permite obter diferentes tipos de conteúdos;
- Permite medir atitudes; - Pode evidenciar raciocínios e formas de estar;
- Mais barato que outras técnicas (principalmente quando entregue directamente ou por e-mail, pois evita as deslocações);
- Permite aplicação "piloto" para o testar;
- Pode ser administrado, com carácter anónimo, em grupos ou individualmente;
- Pode ter um grau de validade e fiabilidade bastante alto;
- Permite análise fácil de questões de resposta fechada dado que permite a recolha de informação exacta;
- Questões de resposta aberta podem fornecer informações detalhadas nas palavras do inquirido; - A resposta, por escrito, a questões potencialmente embaraçosas, não o é tanto para os inquiridos, como por exemplo através da entrevista pessoal;
- As respostas às questões colocadas não estarão tão sujeitas a enviesamentos e interpretações duvidosas;
- Possibilita uma mais fácil sistematização dos resultados e contribui para simplificar e automatizar o processo de análise e tratamento dos dados;
- É de fácil operacionalização, podendo ser aplicado a uma amostra de grande dimensão, num curto espaço de tempo;
- Maior rapidez na recolha e análise de dados.

Desvantagens

- Os inquiridos podem procurar responder o que consideram que é esperado ou socialmente mais correcto;
- Os inquiridos podem não ter conhecimento ou não se lembrar de todos os dados;
- As questões de resposta aberta podem levar a respostas pouco claras ou superficiais devido à linguagem utilizada e/ou ao domínio linguístico do inquirido;
- Pode exigir muito tempo para a análise dos itens de resposta aberta;
- Exige bastante planeamento e muito cuidado na sua elaboração, para que efectivamente possa assegurar o cumprimento dos objectivos, dado que a sua concepção se reveste de alguma complexidade;
- Poderá ser difícil motivar os inquiridos a responder ao questionário, sobretudo, quando aplicado por e-mail ou correio tradicional (o que normalmente origina uma elevada taxa de "não respostas", algo que será particularmente verdade quando o tipo de questões não tem utilidade ou algum tipo de relação com o inquirido);
- Se houver alguma dúvida no preenchimento do questionário, não haverá hipótese de esclarecimento;
- Não possibilita a introdução de dados suplementares, a não ser que se recorram a outras técnicas de recolha de dados;
- Pode não ser aplicável a toda a população.


( excerto das conclusões da discussão intragrupo Azul)

Hill, M.M; Hill, A. ( 2000). Investigação por questionário. Lisboa: Edições Sílabo.

Cuidados a ter na construção de um questionário


Os cuidados a ter em conta na construção de um bom questionário, passam por três aspectos essenciais, ligados entre si e que são os seguintes:




- Definição do tipo de resposta mais adequado a cada pergunta;
- Definição do tipo de escala de medida a associar às respostas;
- Definição da metodologia para análise dos dados.


Nesse sentido, haverá que:


- Listar todas as variáveis de investigação, incluindo as características dos casos;
- Especificar o número de perguntas para medir cada uma das variáveis;
- Escrever uma versão inicial para cada pergunta;
- Pensar na natureza da primeira Hipótese Geral, bem como nas variáveis e perguntas a ela associadas;
- Decidir as técnicas e estatísticas adequadas para testar a hipótese, consoante o tipo de Hipótese Geral, tendo em atenção os pressupostos destas técnicas;
- Decidir o tipo de resposta desejável para cada pergunta associada à Hipótese Geral;
- Definição da Hipótese Operacional;
- Considerar as perguntas iniciais (e tipos de resposta) associadas com a primeira Hipótese Operacional e trabalhá-las para obter uma versão final a incorporar no questionário;
- Verificar se as versões finais das perguntas e das respostas ainda estão adequadas para testar a Hipótese Operacional, face às mudanças que possam ter sido introduzidas;
- Definir as instruções para cada pergunta de modo a informar o respondente sobre como deverá responder;
- Planear as secções do questionário.
(excerto das conclusões da discussão intragrupo Azul)


O Teste piloto e a avaliação do questionário

É francamente desejável fazer um teste-piloto sobre o questionário e revê-lo com base nos resultados desse teste. Aplicando um teste-piloto a um grupo de sujeitos que constituem parte da população intencional do teste, mas que não irão fazer parte da amostra, procura-se determinar se os itens do questionário possuem as qualidades inerentes à medida e discriminabilidade referidas.
Um teste piloto pode revelar uma variedade de imperfeições. Se, por exemplo, os sujeitos respondem de modo idêntico a qualquer um dos itens é provavelmente porque há falta de discriminabilidade. Se um item receber uma preponderância de respostas inadequadas, deve ser examinado para verificar se é ambíguo ou se se está mal formulado.
As orientações dadas deficientemente e outros problemas de administração tornam-se evidentes, num teste piloto. Se os sujeitos recusarem responder a determinados itens, devem reformular-se para os tornar menos sensíveis. Os testes piloto, por conseguinte, dão aos investigadores a possibilidade de remover as deficiências dos questionários, diagnosticando e corrigindo essas imperfeições.
excertos de Tuckman, B.W. ( 2005). Manual de Investigação em Educação. Lisboa:Fundação Calouste Gulbenkian. (p.335-336)

terça-feira, 10 de junho de 2008

A construção do Questionário

A construção de um Questionário (concepção, planeamento e elaboração) implica os seguintes aspectos:

- Estabelecimento da ligação entre os Objectivos da Investigação e os assuntos que os traduzem nas diferentes questões a enunciar;
- Seleccionar as questões para cada assunto principal;
- Seleccionar o tipo de questões a colocar:
- De identificação (destinam-se a identificar o inquirido);
- De informação (destinam-se a recolher factos e opiniões do inquirido);
- Abertas/fechadas;
- Simples/escolha múltipla;
- Classificativa utilizando escala numérica ou escala valorativa (por grau de importância, satisfação, etc.);

- De descanso (introduzem intencionalmente uma pausa, para mudar de assunto ou para introduzir perguntas com um maior grau de dificuldade);
- De controlo (destinam-se a verificar a veracidade de outras).
- Sequencializar as questões (sequência lógica agrupando as questões similares);
- Organização e composição do Questionário:
- O questionário deve ter um título e ser datado;
- O questionário deve ter o contacto do observador/investigador;
- O questionário deve ter uma introdução;
- As questões devem ser numeradas;
- Ter atenção ao layout do questionário (n.º de questões, tipo, estilo e tamanho da letra, destaques, etc.), de forma a ser motivador e claro para quem vai responder.

A introdução do Questionário deve incluir informação sobre:
- O contexto real da investigação;
- A garantia de confidencialidade do questionário;
- Os procedimentos a ter em conta no seu preenchimento;
- Os prazos a observar (para assegurar a devolução do questionário em tempo útil).


(Excerto das conclusões da discussão intragrupo Azul)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O questionário - relação com os objectivos de uma investigação

" [O questionário]consite em colocar a um conjunto de inquiridos, geralmente representativo de uma população, uma série de perguntas relativas à sua situação social, profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude em relação a opções ou a questões humana e sociais, às expectativas, ao seu nível de conhecimento ou de consciência de um acontecimento ou de um problema, ou ainda sobre qualquer outro ponto que interesse os investigadores".(Quivy & Campenhoudt,1992:190)

É um instrumento de recolha de dados característico de uma metodologia quantitativa, quando se pretende que os números “falem por si”, de forma a evitar situações interpretativas e, por isso, mais subjectivas.

Permite, entre outros aspectos, estimar grandezas absolutas (percentagens), grandezas relativas (proporções), descrever um tipo de população, verificar hipóteses sob a forma de relações entre duas ou mais variáveis.

Relacionando a utilização dum Questionário com os Objectivos duma Investigação, pode afirmar-se que…

- A utilização do questionário é particularmente relevante em investigação empírica (aquela em que se fazem observações para melhor compreender o fenómeno a estudar), independentemente do tipo de investigação empírica em causa (pura, aplicada ou aplicável);
- São as hipóteses da investigação que permitem ligar a parte teórica da investigação à parte empírica (planeamento e execução do trabalho empírico) da mesma. Deste modo, as hipóteses "devem justificar o trabalho da parte empírica da investigação" (Hill, M. & Hill, A., 2005: 22);
- O questionário possibilita que se obtenham os dados que vão permitir testar, de modo adequado, as hipóteses da investigação, já que nas investigações onde o questionário é utilizado, a maioria das variáveis é medida a partir das questões nele contidas;
- O questionário deve permitir testar adequadamente as hipóteses operacionais (especificadas a partir das hipóteses gerais) e, por isso, estas deverão estar definidas antes da utilização do questionário, com vista à recolha de dados.

(conclusões da discussão gerada intragrupo Azul)

domingo, 8 de junho de 2008

Revisão da literatura de investigação II

Sugestões de como proceder para uma revisão da literatura

1º - Num primeiro momento, evitar-se-á o mais possivel começar logo a ler calhamaços enormes e indigestos antes de se ter a certeza de não se poder passar sem eles. Orientar-no-emos mais para as obras que apresentam uma reflexão de síntese, ou para artigos de algumas dezenas de páginas. É preferível, com efeito, ler de modo aprofundado e crítico alguns textos bem escolhidos a ler superficialmente milhares de páginas.

2º
- Procurar, na medida do possível, documentos cujos autores não se limitem a apresentar dados, mas incluam também elementos de análise e de interpretação. São textos que levam a reflectir e que não se apresentam simplesmente como insípidas descrições pretensamente objectivas do fenómeno estudado.

3º
- Ter o cuidado de recolher textos que apresentem abordagens diversificadas do fenómeno estudado. Não só não serve de nada ler dez vezes a mesma coisa, como, além disso, a preocupação de abordar o objecto de estudo de um ponto de vista esclarecedor implica que se possam confrontar perspectivas diferentes. Esta preocupação deve incluir, pelo menos nas investigações de um certo nível, a consideração de textos mais teóricos que, não se debruçando necessariamente, de forma directa, sobre o fenómeno estudado, apresentem modelos de análise susceptíveis de inspirar hipóteses particularmente interessantes.

4º
- Oferecer-se, a intervalos regulares, períodos de tempo consagrados à reflexão pessoal e às trocas de pontos de vista com colegas ou pessoas experientes. Um espírito atulhado nunca é criativo.

Excertos tirados de Quivy &Campenhoudt (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva. (pp.50-51)

Revisão da literatura de investigação


Se um estudo de investigação não se alicerce no trabalho de outros investigadores na área de estudo, então é muito pouco provável que ele contribua para o conhecimento educacional.

O tempo despendido com a revisão de literatura é um tempo bem aplicado porque ajuda o investigador a desenvolver uma compreensão mais profunda do problema e pode poupar tempo em fases posteriores do processo de investigação

Os vários propósitos que a revisão de literatura pode servir num estudo de investigação:
- Delimitar o problema de investigação
- Descobrir novas linhas de inquirição.
- Evitar abordagens inúteis.
- Obter insights metodológicos.
- Identificar recomendações para investigação futura.
- Procurar apoio para uma teoria enraizada.


Principais Etapas da Revisão de Literatura



Etapa 1: pesquisar fontes preliminares. O investigador necessitará de identificar livros, artigos, textos profissionais e outras publicações que são relevantes para o seu problema. As fontes preliminares, à semelhança do índice de conteúdo de uma biblioteca, são índices para domínios particulares de literatura que constituem uma ajuda essencial nesta tarefa. Procurando um tópico particular num índice de conteúdo de uma biblioteca (e.g., educação matemática), o investigador pode encontrar todos os livros da biblioteca que pertencem àquele tópico. Contudo, as fontes preliminares são mais vastas porque incluem em índice todos os tipos de publicações (não apenas os livros) existentes em diferentes em diferentes locais (não apenas numa biblioteca particular).


Etapa 2: usar fontes secundárias. No exame das fontes preliminares, o investigador pode descobrir que outros investigadores já escreveram revisões de literatura que são relevantes para o seu problema. Estas revisões são exemplos de fontes secundárias. Uma fonte secundária é um documento escrito por alguém que não efectuou a investigação, desenvolve teorias ou exprime as opiniões que têm sido sintetizadas numa revisão de literatura.


Etapa 3: ler fontes primárias. Geralmente, as fontes secundárias revêem muitos estudos de investigação, mas nunca em detalhe. Por esta razão, o investigador necessitará de obter e estudar relatórios originais, pelo menos daqueles estudos que são mais centrais para a investigação proposta. Estes relatórios originais são chamados fontes primárias. Uma fonte primária é um documento (e.g., um artigo de revista ou uma dissertação) que foi escrito pela pessoa que conduziu o estudo de investigação ou que formulou a teoria ou as opiniões descritas no documento.


Etapa 4: sintetizar a literatura. Depois de lidas todas as fontes primárias e secundárias relevantes, é necessário sintetizar o que foi aprendido em ordem a escrever uma revisão de literatura. O propósito da revisão de literatura é informar o leitor sobre o que já é conhecido e o que ainda não é conhecido, acerca dos problemas ou questões que se pretendem estudar. É necessário também tornar claro como o estudo proposto se relaciona e se alicerça na base de conhecimento existente, tal como é representada na literatura.

Frequentemente estas quatro etapas do processo de revisão de literatura não são executadas estritamente em sequência. Por exemplo, quando o investigador procede à revisão de literatura relevante para o seu problema, ele pode chegar à conclusão que pretende reformular o seu problema, implicando, consequentemente, estabelecer uma nova direcção para a pesquisa de literatura. O investigador pode concluir que as fontes primárias e secundárias, identificadas através das fontes preliminares, estavam relacionadas apenas indirectamente com o problema. Neste caso, é necessário voltar à primeira etapa e encontrar fontes preliminares mais relevantes.


excertos retirados de www.prof2000.pt/users/a9641140/uminho/nova%20pasta/capítulo%204-revisão%20de%20literatura.doc