domingo, 29 de junho de 2008

Reflexão final


Tudo tem um fim… e, talvez, um novo ciclo se possa iniciar agora…
Com este post damos por finalizada a construção deste (primeiro!) portefólio online, criado no âmbito da Unidade Curricular de Investigação Educacional, do Mestrado em Supervisão Pedagógica.
Dele constam excertos, comentários e pequenas reflexões, ligações aos trabalhos produzidos, abrangendo todos os grandes temas que foram tratados, ao longo do semestre, nesta unidade curricular. Muito mais informação haveria para aqui ser colocada, resultante das diversas pesquisas realizadas, pois nesta área os recursos existentes, sobretudo na web, são inúmeros. No entanto, julgamos que foi disponibilizado o essencial para, numa abordagem posterior, poder ser mais aprofundada em cada um dos temas.
Todo este suporte teórico será de extrema importância ao permitir delinear percursos e trajectórias de investigação claros ao avançarmos para a elaboração da dissertação. Alguns aspectos, sobretudo os relativos à análise de dados, carecerão de um maior aprofundamento pessoal pois foi nessa temática onde menos certezas foram sentidas.
O caminho até aqui percorrido foi exigente, com algumas dúvidas, nem sempre o resultado foi conseguido como pretendido em alguns aspectos, mas foi aquele que consideramos ter sido o possível, dentro de todas as limitações e constrangimentos sobretudo de ordem temporal – nem sempre foi possível fazer uma outra gestão do tempo. Consideramo-lo, contudo, satisfatório.
Julgamos importante fazer referência à dinâmica de trabalho de grupo realizado nos três primeiros temas. Eles permitiram uma melhor consolidação destas temáticas pela partilha e discussão intragrupo e posteriormente alargada aos restantes grupos. Procurámos participar e trazer à discussão ideias, conhecimentos e referências a partir das leituras realizadas. O estudo individual foi orientado para ir de encontro ao que era pretendido.
Desde já uma palavra de agradecimento à Professora Alda e Professora Luísa pelas orientações e esclarecimentos, sempre oportunos e fundamentais, e a todos os colegas pela partilha, apoio e colaboração ao longo desta caminhada.
Paulo Borges

sábado, 28 de junho de 2008

Ética na Investigação

A realização de qualquer investigação implica por parte do investigador o cumprimento de normas e princípios éticos geralmente aceites pela comunidade científica. Alguns desses códigos são fruto de considerável reflexão.
Pretendem, por um lado, sensibilizar os investigadores para dilemas e questões morais com as quais se podem defrontar ao longo da investigação e, por outro, funcionar mais ou menos como forma de protecção dos investigadores ao tomarem-se como um repositório de normas de conduta.
Segundo Costa (2004)*, a complexidade de um simples problema de investigação pode levantar múltiplas questões de comportamento apropriado. Os problemas éticos resultam de conflitos de valores, envolvendo elementos pessoais e profissionais, tanto com o objecto de investigação como com a condução da mesma.
Os problemas éticos podem relacionar-se tanto com a ciência em si como com a investigação.
Cada etapa da investigação pode ser uma fonte potencial de problemas éticos que podem resultar: da própria natureza do projecto; do contexto da pesquisa; dos procedimentos a adoptar; dos métodos de recolha de dados; da natureza dos participantes; do tipo de dados recolhidos e do que se irá fazer com os dados obtidos.

Estão directamente relacionados com o respeito pelos direitos dos participantes no estudo:
- A não receber dano, isto é, a não serem prejudicados, sabendo-se previamente avaliar o prejuízo potencial do estudo;
- Direito de conhecimento pleno, ou de informação completa sobre o estudo, sobre a natureza, o fim e a duração da investigação para a qual é solicitado a participação da pessoa, assim como os métodos utilizados no estudo;
- Direito de autodeterminação, baseia-se no princípio ético do respeito pelas pessoas, segundo o qual qualquer pessoa é capaz de decidir por ela própria e tomar conta do seu próprio destino. Decorre deste princípio que o potencial sujeito tem o direito de decidir livremente sobre a sua participação ou não nesta investigação; aliás, tem o direito de decidir por si mesmo se participa ou não, sem coacção, e deve ser assegurado o direito a negar-se livremente.
- Direito à intimidade – inclui poder negar-se a responder a algumas questões, a saber protegida a identidade do sujeito e à confidencialidade da informação que partilharam. Qualquer investigação junto de seres humanos constitui uma forma de intrusão na vida pessoal dos sujeitos – e a pessoa é livre de decidir sobre a extensão da informação a dar ao participar numa investigação e a determinar em que medida aceita partilhar informações íntimas e privadas.
- Direito ao anonimato e à confidencialidade – isto é, os dados pessoais não podem ser divulgados ou partilhados sem autorização expressa do sujeito e a identidade do sujeito não pode ser associada ás respostas individuais. Os resultados devem ser apresentados de forma que nenhum dos participantes no estudo possa ser reconhecido.

Do ponto de vista metodológico, a investigação qualitativa reporta-se à inserção num contexto naturalista e é particularmente útil para a investigação de questões ligadas à vida das pessoas e aos significados que as mesmas atribuem ao mundo pois o conhecimento que se busca é relativo ao como ocorrem as experiências quotidianas e quais os seus significados para os sujeitos. Neste sentido, é preciso assegurar os princípios éticos, numa investigação de carácter qualitativo.

Ética na investigação prende-se também com as regras de publicação e divulgação dos resultados. O investigador deve ter presente os seguintes princípios que o obrigam a:
- Fazer uma rigorosa explicitação das fontes utilizadas;
- Ser autentico na redacção do relatório, no que respeita aos resultados que apresenta e às conclusões a que chegar
- Fidelidade em relação aos dados recolhidos e aos resultados a que chega;
- Não enviesamento das conclusões


(*) http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/mi1/margaridaproblemaseticos.pdf

"Não há nada mais devastador para um profissional do que ser acusado de uma prática pouco ética. "
Bogdan & Biklen

Validade e Fiabilidade ( fidelidade)


Segundo Azevedo e Azevedo (2000, p.28) o respeito pelos reais resultados duma investigação é um contributo importante para o progresso da ciência
Os processos de recolha de informação, no domínio científico, são fundamentais para garantir a “verdade” dos resultados de determinado estudo.
Para garantir o rigor dos dados recolhidos e das conclusões da investigação, é necessário que esta possua duas características fundamentais: a validade e a fidelidade.

A Validade

Tuckman (2000, p.8) refere dois tipos de validade: validade interna e validade externa.
Segundo ele, um estudo tem validade interna quando o “seu resultado está em função do programa ou abordagem a testar” e tem validade externa “se os resultados obtidos forem aplicáveis no terreno a outros programas ou abordagens similares” (p.8).
A validade externa está directamente ligada à confiança nos resultados da investigação, a fim de ser possível generalizá-los. “A validade externa tem pouco valor sem um razoável grau de validade interna, dando confiança às nossas conclusões, antes de tentarmos generalizá-las” (p.9).
Num projecto de investigação é necessário procurar o ponto de equilíbrio entre os dois tipos de validade. Assim, o investigador deverá procurar atingir um nível satisfatório de validade interna, para que a investigação possa ser conclusiva. Simultaneamente deverá tentar que ela se mantenha integrada na realidade em estudo, para ser representativa e generalizável, isto é, ter validade externa.
A validade de um teste refere-se ao facto do teste medir aquilo que se propõem. A falta de validade provoca uma distorção por instrumentação. Segundo Tuckman (2000, p.259-262) um teste deverá ser avaliado de forma a verificar se responde a alguns tipos de validade:
- Validade preditiva – que consiste em comparar os resultados do teste com um performance efectiva que é predita por esse teste;
- Validade concorrencial – que consiste em comparar os resultados do teste com os de outro teste que tem como objectivo medir a mesma característica;
- Validade de construção – que consiste em comparar os resultados do teste com um comportamento que, por hipótese, está relacionado com ele;
- Validade de conteúdo – que consiste em comparar o conteúdo do teste com as especificações que se consideram abrangidas pelo teste.

A Fidelidade

A fidelidade de um teste refere-se à sua consistência. Para os testes, e para garantir a sua fidelidade, Tuckman (2000, p.256-259) propõe quatro processos:
- Fidelidade por teste-reteste – Dar o mesmo teste às mesmas pessoas, em ocasiões diferentes, e proceder à comparação da performance de cada uma delas.
- Fidelidade pela utilização de formas alternativas – Faz-se através da “administração de uma forma alternativa do teste (ou seja, diferente, mas com os mesmos objectivos), às mesmas pessoas”. Para isto, são necessários testes diferentes mas que sejam equivalentes.
- Fidelidade pela divisão-a-meio – “Divide-se um teste em duas metades, (...) e então estabelece-se uma correlação entre as pontuações obtidas por cada pessoa, em cada uma das metades.” Isto permite saber se ambas as metades do teste medem os mesmos atributos ou características.
- Fidelidade pela forma de Kuder-Richardson – Esta fórmula é equivalente à média de todos os possíveis coeficientes de fidelidade por divisão-a-meio.

Segundo Tuckman (2000, p.561) os coeficientes de fidelidade dos testes deverão situar-se em 0,75 e acima deste valor para os testes de realização. Para os testes de atitudes deverão ser iguais ou superiores a 0,50.

O respeito pela validade e pela fidelidade, garantem ao investigador a qualidade do resultado do seu trabalho. Uma investigação de carácter científico poderá, assim, ser olhada com respeito, e servir de base para futuros estudos. Assim,(...) o processo e as metodologias são eles próprios transmissíveis, dando aos outros investigadores a possibilidade de os contestarem e fazerem a aferição da sua validade científica” (Tuckman, 2000, p.19).

Referências Bibliográficas
Tuckman, B. (2000). Manual de Investigação em Educação. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Azevedo, Carlos A.M. & Azevedo, Ana G. (2000). Metodologia Científica – Contributos Práticos Para a Elaboração de Trabalhos Académicos. Lisboa: Universidade Católica.

Fica a referência a um artigo muito interessante sobre as questões de validade e fiabilidade em investigação qualitativa.

http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/7884/1/005a015_ART01_Coutinho%5brev_OK%5d.pdf


Resumo: Este artigo tem como objectivo principal sensibilizar a comunidade de investigadores na área das Ciências da Educação para a necessidade da adopção de critérios específicos para a aferição da qualidade científica dos estudos de natureza interpretativa. Nesse sentido, definidos os conceitos básicos, equacionaremos a perspectiva de diferentes autores relativamente à polémica questão da necessidade (ou não) de se aferirem standards de rigor para a avaliação da qualidade científica de estudos qualitativos, posição que defendemos incondicionalmente. Por último, serão apresentadas “estratégias de verificação” que, se adoptadas pelo investigador no decurso de uma pesquisa qualitativa, podem ajudar a garantir a credibilidade dos resultados obtidos e a qualidade científica do estudo realizado.

domingo, 22 de junho de 2008

A prática da análise de conteúdo

A análise de conteúdo compreende as seguintes etapas, de acordo com Carmo e Ferreira (1998):

1- Definição dos objectivos e do quadro de referência teórico

2- Constituição de um "corpus"
O "corpus" é o conjunto dos documentos escolhidos para se proceder posteriormente à análise de conteúdo. A sua seleccção deve ter em atenção regras como: a exautividade, a representatividade, a homogeneidade e a pertinência.

3- Definição das categorias
As categorias são "rubricas significativas, em função das quais o conteúdo será classificado e eventualmente quantificado. A sua definição poderá ser feita à priori ou à posteriori.
As categorias devem ter as seguintes características: devem ser exaustivas, exclusivas, objectivas e pertinentes.

4- Definição das unidades de análise
São constituídas as seguintes unidades de análise:
-> de registo - segmento mínimo de conteúdo a analisar: palavra, frase, título, personagem, tema,...
-> de contexto - segmento mais longo de conteúdo que o investigador considera quando caracteriza uma unidade de registo. É importante considerar a unidade de contexto para assegurar a fidelidade e a validade da análise. Unidades de registo e de contexto longas levantam dificuldades à sua valiadação interna.
-> de enumeração - é a unidade em função da qual se procede à quantificação. Dizem respeito ao tempo e ao espaço: minutos de registo, parágrafo, linha,...

5- Quantificação
A utilização de software específico ajuda grandemente nesta tarefa. São exemplo deste software o AnSWR, ATLAS, Ethnograph, Hyperresarch, Nvivo, NUD-IST,...

6- Interpretação dos resultados
Realizada à luz dos objectivos e do suporte teórico.

Referências Bibliográficas
Carmo, H.; Ferreira, M. M. (1998). Metodologia da Investigação - guia para auto-aprendizagem. Lisboa:Universidade Aberta.

Análise qualitativa dos dados


A análise de conteúdo incide sobre mensagens tão variadas como obras literárias, artigos de jornal, documentos oficiais, actas de reuniões, relatórios de entrevistas pouco directivas,...

Os aspectos formais da comunicação são considerados como indicadores da actividade cognitiva do locutor, dos significados sociais ou políticos do seu discurso ou do uso social que faz da comunicação.

Berelson, citado por Carmo e Ferreira (1998), define a Análise de Conteúdo como "uma técnica de investigação que permite fazer uma descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações, tendo por objectivo a sua interpretação."
Objectiva - porque a análise deve ser efectuada de acordo com determinadas regras, obedecer a instruções suficientemente claras e precisas para que investigadores diferentes, trabalhando sobre o mesmo conteúdo, possam obter os mesmos resultados.
Sistemática - porque a totalidade do conteúdo deve ser ordenado e integrado em categorias previamente escolhidas em função dos objectivos que o investigador quer atingir.
Quantitativa - uma vez que a maior parte das vezes é calculada a frequência dos elementos considerados significativos.

Bardin, segundo os mesmos autores, refere que a análise de conteúdo não deve ser utilizada apenas para se prceder a uma descrição do conteúdo das mensagens, pois a sua principal finalidade é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção (ou eventualmente de recepção), com a ajuda de indicadores (quantitativos ou não).

Tipos de análise de conteúdo
referidas por Quivy e Champenhoudt (1992:226), a partir de Bardin:

Análises temáticas: são as que tentam principalmente revelar as representações sociais ou os juízos dos locutores a apartir de um exame de certos elementos constitutivs do discurso.
-> análise categorial - consiste em calcular e comparar as frequências de certas características previamente agrupadas em categorias significativas. baseia-se na hipótese segundo a qual uma característica é tanto mais frequentemente citada, quanto mais importante for para o locutor.
-> análise da avaliação - incide sobre os juízos formulados pelo locutor. É calculada a frequência dos diferentes juízos, mas também a asua direcção e a sus intensidade.
Análises formais: são as que incidem principalmente sobre as formas e encadeamento do discurso.
-> análise da expressão - incide sobre a forma da comunicação, cujas características (vocabulário, tamanho das frases, ordem das palavras, hesitações,...) facultam informação sobre o estado de esprírito do locutor e suas tendências ideológicas.
-> análise da enunciação - incide sobre o discurso concebido como um processo cuja dinâmica própria é, em si mesma, reveladora. O investigador está então atento a dados como o desenvolvimento geral do discurso, a ordem das suas sequ~encias, as repetições, as quebras do ritmo,...
Análises estruturais: são as que põem a tónica sobre a maneira como os elementos da mensagem estão dispostos. Mais do que as outras, tentam revelar aspectos subjacentes e implícitos da mensagem.
-> análise de co-ocorrência - examina as associações de temas nas sequ~encias da comunicação. parte-se do príncipio de que as co-ocorrências entre temas informam o investigador acerca de estruturas mentais e ideológicas ou acerca de preocupações latentes.
-> análise estrutural propriamente dita - o objectivo é revelar os príncipios que organizam os elementos do discurso, independentemente do próprio conteúdo destes elementos.


Referências Bibliográficas
Carmo, H.; Ferreira, M. M. (1998). Metodologia da Investigação - guia para auto-aprendizagem. Lisboa:Universidade Aberta.
Quivy, R.; Campenhoudt, L. (1992). Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa:Gradiva.

A escolha do teste estatístico adequado

O objectivo de um teste estatísitico é verificar se os dados recolhidos de duas ou mais amostras são equivalentes e, além disso, determinar a possibilidade de quaisquer diferenças entre elas serem devidas a flutuações ocasionais. Para escolher a estatística adequada, há que determinar, em primeiro lugar, o número de variáveis independentes e dependentes, que considera na sua investigação. Determine, em seguida, quais dessas variáveis são nominais, ordinais, ou de intervalos. (Tuckman, 2005:378-379)

O quadro abaixo, proposto pelo mesmo autor fornece orientações para a escolha do teste estatístico.

Hill e Hill (2000:210-213), oferecem no seu livro conselhos práticos também para uma escolha da técnica estatística adequada.
Outra sugestão de apoio para esta tarefa encontra-se em http://www.vademecum.com.br/iatros/Testes.htm

Referências Bibliográficas
Hill, M. M.;Hill, A. (2000). Investigação por questionário. Lisboa:Edições Sílabo.
Tuckman, B. W. (2005). Manual de Investigação em Educação. Lisboa:Fundação Calouste Gulbenkian.

Análise quantitativa de dados

É adequado, por definição, a todas as investigações orientadas para o estudo das correlações entre fenómenos susceptíveis de serem exprimidos por variáveis quantitativas. por conseguinte, estes métodos são geralmente muito bem adequados a investigações conduzidas numa perpectiva de análise causal. Mas não é, de modo algum, exclusivo desta: grandes sociólogos utilizara estes métodos em perpectivas muito diferentes.

A análise estatítica dos dados impõe-se em todos os casos em que estes últimos são recolhidos por meio de um inquérito por questionário. É então necessário reportarmo-nos aos objectivos para os quais é adequado este método de recolha dos dados. ( Quivy e Champenhoudt, 1992:222)


Estatística descritiva vs Estatística inferencial

Uma estatística descritiva descreve, de forma sumária, alguma caracter´sitica de uma ou mais variáveis fornecidas por uma amostra de dados. As estatísticas descritivas mais vulgares são, talvez, as medidas de tendêcia central, nomeadamente, o valor médio, a mediana e a moda. O descio padrão, a variâcia, e o intervalo inter-quartil também são estatíiticas descritivas porque dão uma descrição sumária da variação dos valores de uma variável. Todos os coeficientes de correlação são esataísticas decritivas na medida em que resumem a relação entre os valores de duas variáveis. (Hill e Hill,2000:192)

A estatística inferencial permite avaliar o papel de factores ligados com o acaso quando se está a tirar conclusões a apartir de uma ou mais amostras de dados.

Segundo Hiil e Hill (2000), as técnicas estatísticas podem ser classificadas de várias maneiras, por exemplo:
- técnicas paramétricas e técnicas não-paramétricas;
- técnicas que trata de diferenças entre amostras de casos, e técnicas que tratam da relação entre variáveis (para uma só amostra de casos);
- técnicas univariadas, técnicas bivariadas e técnicas multivariadas.

Técnicas paramétricas e técnicas não-paramétricas

Há um grupo de testes estatísticos, designados paramétricos, que se baseia nas medidas intervalares da variável dependente. Ou seja, a variável dependente é um parâmetro ou característica quantitativa de uma população(Winer, 1971). A utilização destes testes exige que sejam satisfeitos os seguintes pressupostos:
- a distribuição é normal;
- a variância é homogénea;
- os intervalos são contínuos e iguais.
Quando comparados com os testes paramétricos, os não-paramétricos requerem menos pressupostos para as distribuições. Não exigem uma distribuição normal, nem variãncias iguais nos grupos. Baseiam-se em dados ordinais e nominais e são muito úteis para cálculos rápidos. São também úteis para as amostras grandes, em que os pressupostos paramétricos não se verifiquem, e para amostras muito pequenas, e ainda para investigações que envolvam hipóteses cujos processos de medida são ordinais. (Tuckman, 2005:374).

Exemplos de testes paramétricos : o teste t, a análise de variância, a correlação (do tipo Pearson) e a regressão linear.

Exemplos de testes não-paramétricos: o teste do qui-quadrado, o teste de Wilcoxon, o teste entre medianas, e a correlação (do tipo Spearman).


Referências Bibliográficas
Hill, M. M.;Hill, A. (2000). Investigação por questionário. Lisboa:Edições Sílabo.
Quivy, R.; Campenhoudt, L. (1992). Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa:Gradiva.
Tuckman, B. W. (2005). Manual de Investigação em Educação. Lisboa:Fundação Calouste Gulbenkian.

Análise de Dados



A etapa da investigação correspondente à análise de dados compreende diversas operações que, segundo Quivy e Champenhoudt (1992), são agrupadas em três:
- a descrição e a preparação (agregada ou não) dos dados na forma exigida pelas variáveis implicadas nas hipóteses e de maneira que as características dessas variáveis sejam claramente evidenciadas pela descrição;
- a análise das relações entre as variáveis;
- a comparação dos resultados observados com os resultados esperados a partir da hipótese.

A maior parte dos métodos de análise de dados depende de uma de duas grande categorias: a análise estatística dos dados e a análise de conteúdo, consoante a definição do tipo de instrumento utilizado na etapa de recolha de dados.


Referências Bibliográficas
Quivy, R.; Campenhoudt, L. (1992). Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa:Gradiva.

A Investigação-Acção II


“A Investigação-acção é um excelente guia
para orientar as práticas educativas, com o
objectivo de melhorar o ensino e os
ambientes de aprendizagem na sala de aula.”
R. Arends


O contributo da Investigação-acção na prática educativa pode e deve levar a uma participação mais activa do professor, como agente de mudança.
A estratégia mais eficaz para que ocorram as necessárias mudanças na comunidade educativa será o envolvimento de todos os intervenientes, numa dinâmica de acção-reflexão-acção. Neste sentido, a Investigação-acção surge como uma metodologia eficaz.
Nesta perspectiva, e na opinião de Froufe Quintas (1998), a Investigação-acção pode ajudar o professor/educador a “desenvolver estratégias e métodos” para que a sua actuação seja mais adequada, bem como, “propiciar técnicas e instrumentos de análise da realidade, assim como formas de recolha e análise de dados.”

A Investigação-Acção pode orientar o desenvolvimento profissional dos professores.
Estudos têm revelado que os professores são mais receptivos a mudanças de comportamentos, atitudes e práticas se estiverem envolvidos numa investigação que, para além de provar que é necessária uma alteração dos mesmos, também demonstra que tal é exequível.

Consideram-se os seguintes efeitos de um processo de Investigação-Acção na prática educativa do professor:
- altera a concepção das suas capacidades e do papel que desempenha;
- aumenta a auto-confiança e a auto-valorização;
- aumenta a tomada de consciência dos problemas da sala de aula;
- aumenta a disposição para a auto-reflexão;
- altera os seus valores e crenças;
- promove a congruência entre teorias da prática e a sua aplicabilidade prática;
- alarga as suas perspectivas em relação ao processo de ensino e aprendizagem e à sociedade em geral.

sábado, 21 de junho de 2008

A Investigação-Acção

“Se queres compreender uma certa realidade, procura mudá-la”
W. F. Dearborn

“Nem acção sem investigação nem investigação sem acção”
Kurt Lewin

“(…) se os homens são seres do quefazer é exactamente porque o seu fazer é acção e reflexão.
É praxis. É transformação do mundo.”
Freire



A Investigação-Acção tem adquirido, ao longo dos últimos tempos, uma grande relevância.


Pode descrever-se a Investigação-Acção como uma metodologia de pesquisa assente em fundamentos pós-positivistas que encara na acção uma intenção de mudança e na investigação um processo de compreensão. Com a investigação há uma acção deliberada de transformação da realidade, um duplo objectivo, portanto, «transformar a realidade e produzir os conhecimentos que dizem respeito às transformações realizadas» (Hugon & Seibel, 1988, cit. in Barbier, s.d.).

A mudança é uma acção complicada porque, tendo como objectivo me­lhorar a vida das pessoas, pode estar a pôr em conflito as suas crenças, estilos de vida e comportamentos. Para que essa mudança seja efectiva, é necessário compreender a forma como os indivíduos envolvidos vivenciam a sua situação e implicá-los nessa mesma mudança, pois são eles que vão viver com ela (Bogdan e Biklen, 1994).


Segundo Cohen e Manion (1989) trata-se de um procedimento essencialmente in loco, com vista a lidar com um problema concreto localizado numa situação imediata. Isto significa que o processo é constantemente controlado passo a passo (isto numa situação ideal), durante períodos de tempo variáveis, através de diversos mecanismos (questionários, diários, entrevistas, e estudos de caso, por exemplo), de modo que os resultados subsequentes possam ser traduzidos em modificações, ajustamentos, mudanças de direcção, rededinições, de acordo com as necessidades, de modo a trazer vantagens duradouras ao próprio processo em curso.


De acordo com vários autores, destacamos as seguintes características da Investigação-Acção:

Participativa e colaborativa, no sentido em que implica todos os intervenientes no processo. Todos são co-executores na pesquisa. O investigador não é um agente externo que realiza investigação com pessoas, é um co-investigador com e para os interessados nos problemas práticos e na melhoria da realidade, (Zuber –Skerritt,1988);
Prática e interventiva, pois não se limita ao campo teórico, a descrever uma realidade, intervém nessa mesma realidade. A acção tem de estar ligada à mudança, é sempre uma acção deliberada (Coutinho, 2005);
Cíclica, porque a investigação envolve uma espiral de ciclos, nos quais as descobertas iniciais geram possibilidades de mudança, que são então implementadas e avaliadas como introdução do ciclo seguinte. Temos assim um permanente entrelaçar entre teoria e prática, (Cortesão, 1998, citado em Coutinho, 2005:222);
Critica, na medida em que a comunidade crítica de participantes não procura apenas melhores práticas no seu trabalho, dentro das restrições sociopolíticas dadas, mas também, actuam como agentes de mudança, críticos e autocríticos das eventuais restrições. Mudam o seu ambiente e são transformados no processo (Zuber-Skerritt,1992).
Auto – avaliativa, porque as modificações são continuamente avaliadas, numa perspectiva de adaptabilidade e de produção de novos conhecimentos.


Fases do processo de Investigação-Acção

Para os autores Brown e McIntyre (1981) na Investigação-Acção o investigador/actor formula primeiramente principios especulativos e gerais em relação aos problemas que foram identificados; a partir destes princípios, podem ser depois produzidas hipóteses quanto à acção que deverá mais provavelmente conduzir, na prática, aos melhoramentos desejados. Essa acção será então experimentada e recolhida a informação correspondente aos seus efeitos; estas informações serão utilizadas para rever as hipóteses preliminares e para identificar uma acção mais apropriada que já reflicta uma modificação dos princípios gerais. A recolha de informação sobre os efeitos desta nova acção poderá gerar hipóteses posteriores e alterações dos princípios, e assim sucessivamente, aproximando-nos assim de um maior entendimento e melhoramento da nossa acção. isto implica um processo contínuo de pesquisa e o valor do trabalho é julgado pelo que se tiver conseguido em termos de compreensão, bem como das alterações desejáveis na nossa forma de agir.




Podemos, assim, afirmar que a Investigação-acção é uma metodologia dinâmica, “uma espiral de planeamento e acção e busca de factos sobre os resultados das acções tomadas, um ciclo de análise e reconceptualização do problema, planeando a intervenção, implementando o plano, avaliando a eficácia da intervenção” (Matos, 2004).

Técnicas e Instrumentos de recolha de dados

António Latorre divide as técnicas utilizadas em três categorias:
Técnicas baseadas na observação – estão centradas na perspectiva do investigador, em que este observa em directo e presencialmente o fenómeno em estudo;
Técnicas baseadas na conversação – estão centradas na perspectiva dos participantes e enquadram-se nos ambientes de diálogo e de interacção;
Análise de documentos – centra-se também na perspectiva do investigador e implica uma pesquisa e leitura de documentos escritos que se constituem como uma boa fonte de informação.

Estas técnicas e instrumentos podem ainda classificar-se do seguinte modo:






Modalidades de Acção-Investigação

Tal como noutras metodologias, a Investigação-Acção também apresenta diferentes formas de a realizar, dependendo das situações, dos contextos, das pessoas e das condições em que se processa.
A seguinte tabela apresenta uma descrição dessas mesmas modalidades:


Posicionamento da Investigação-Acção face a um Paradigma

Embora partilhando as perspectivas dos paradigmas positivista e interpretativo e utilizando metodologias quantitativas e qualitativas, alguns investigadores consideram que a Investigação-Acção não se encaixa em nenhum dos paradigmas anteriores. Argumentam que existe uma maior aproximação ao paradigma crítico já que a sua intenção não é apenas entender os fenómenos mas mudá-los.


domingo, 15 de junho de 2008

A Entrevista II

A preparação da entrevista é uma das etapas mais importantes da pesquisa que requer tempo e exige alguns cuidados, entre eles destacam-se: o planeamento da entrevista, que deve ter em vista o objectivo a ser alcançado; a escolha do entrevistado, que deve ser alguém que tenha familiaridade com o tema pesquisado; a oportunidade da entrevista, ou seja, a disponibilidade do entrevistado em fornecer a entrevista que deverá ser marcada com antecedência para que o pesquisador se assegure de que será recebido; as condições favoráveis que possam garantir ao entrevistado o segredo de suas confidências e de sua identidade e, por fim, a preparação específica que consiste em organizar o roteiro ou formulário com as questões importantes (Lakatos, 1996).*


Se a entrevista for do tipo semi-estruturado ou estruturado deverá ser construído um guião - instrumento utilizado para recolher informações na forma de texto, que serve de base à realização de uma entrevista propriamente dita.

Etapas para a elaboração do guião:
- Descrição do perfil do entrevistado (nível etário, escolaridade, etc);
- Selecção da população e da amostra de indivíduos a entrevistar;
- Definição do propósito da entrevista (tema, objectivos);
- Estabelecer o meio de comunicação (oral, escrito, telefone, email,…), o espaço (sala, jardim, …) e o momento (manhã, duração, …);
- Discriminação dos itens ou características para o guião;
- Elaboração do guião, com boa apresentação gráfica ;
- Validação da entrevista pela análise e crítica de personalidades relevantes.

Discriminação dos itens
- Elaborar perguntas de acordo com o tema, objectivos da entrevista, expectativas do entrevistador e de possíveis leitores/ouvintes.
- Formular perguntas abertas (O que pensa de …?) e fechadas (Gosta de …?);
- Adequar as perguntas ao entrevistado, utilizando vocabulário claro, acessível e rigoroso;
- Procurar alternativas para eventuais fugas ao tema;
- Estabelecer o número de perguntas e proceder à sua ordenação, no âmbito de cada dimensão;

Na entrevista de tipo não estruturado, “as perguntas devem ser feitas levando em conta a sequência do pensamento do pesquisado, ou seja, procurando dar continuidade na conversação, conduzindo a entrevista com um certo sentido lógico para o entrevistado. (Bourdieu, 1999).*


Procedimentos durante a entrevista
- Explicação da entrevista;
- Criação de um ambiente agradável para a realização da entrevista;
- Previamente, antes de iniciar a entrevista deve verificar suportes de registo (papel, fita, pilhas, captação do som, …) e pedir autorização ao entrevistado para fazer a gravação;
- Favorecimento das respostas pertencentes ao entrevistado;
- Registo de tudo o que entrevistado diz;
- Registar com as mesmas palavras do entrevistado, evitando resumi-las;
- Anotar, se possível, gestos e expressões do entrevistado;
- Gestão do tempo de conversação;
- Término da entrevista num ambiente de cordialidade para que o entrevistador possa voltar, se necessário, e obter novos dados.

* excertos retirados de Boni, V.; Quaresma , S.J. “Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em Ciências Sociais”, disponível em http://www.emtese.ufsc.br/3_art5.pdf



“O bom entrevistador deve, efectivamente, saber reunir duas qualidades muitas vezes incompatíveis: saber observar, ou seja, deixar a criança falar, não desviar nada, não esgotar nada e, ao mesmo tempo, saber buscar algo de preciso, ter a cada instante uma hipótese de trabalho, uma teoria, verdadeira ou falsa, para controlar”. ( Piaget)

Tipologia de entrevista

A entrevista pode apresentar diferentes graus de estruturação e objectivos.
O grau de estruturação depende da margem de liberdade a atribuir, quer ao entrevistador, quer ao entrevistado. Assim, a entrevista pode apresenta a forma:

Não estruturada * ------* Semi-estruturada * ------* Estruturada

Entrevista não estruturada (aberta)
-O entrevistador propõe um tema
-Desenvolve-se no fluir de uma conversa
-Ocorre com frequência na observação participante
-Tomada de consciência dos entrevistados
-As questões emergem tipicamente do contexto imediato
-O entrevistador promove, encoraja e orienta a participação do sujeito
-Não existe um guião prévio estruturado

Pontos fortes:
- Permite ao entrevistador responder bem a diferenças individuais e a mudanças situacionais
- As questões podem ser individualizadas para melhorar a comunicação
- Aumenta a imediaticidade

Pontos fracos:
-Requer muito tempo para obter informação sistemática
-Pode levar muito tempo a que as mesmas questões sejam abordadas por diferentes pessoas
-Depende bastante das capacidades e treino do entrevistador


Entrevista Semi-estruturada
-Caracteriza-se pela existência de um guião previamente preparado que serve de eixo orientador ao desenvolvimento da entrevista
-Diversos participantes respondem às mesmas questões
-Não se exige uma ordem rígida nas questões mas que todas sejam cobertas na entrevista
-O guião funciona como um checklist
-O desenvolvimento da entrevista vai-se adaptando ao entrevistado
-Mantém-se um elevado grau de liberdade na exploração das questões

Pontos fortes:
-Optimização do tempo disponível
-Tratamento mais sistemático dos dados
-Especialmente aconselhado para entrevistas a grupos
-Permite seleccionar temáticas para aprofundamento
-Não se espera introduzir novas questões mas não se fecha essa possibilidade

Pontos fracos
-Requer uma boa preparação por parte do entrevistador


Entrevista Estruturada (fechada, standard, sistemática)
-Quando é importante minimizar a variação entre as questões postas aos entrevistados
-Maior uniformidade no tipo de informação recolhida
-Questões fechadas para obter dados sobre a amostra
-Quando há vários entrevistadores
-Questões colocadas tal como foram previamente escritas
-As categorias possíveis de respostas estão previamente definidas
-A avaliação das respostas durante a entrevista é reduzida

Pontos fortes:
-Facilita a análise de dados
-Permite a replicação do estudo

Pontos fracos:
-Flexibilidade e espontaneidade reduzidas
-Reduz ou anula a possibilidade de aprofundar questões que não foram antecipadamente pensadas
-Circunstâncias e elementos pessoais não são tomados em consideração


Relação do tipo de entrevista com o objectivo do estudo

Controlo - entrevista estruturada
Verificação - entrevista semi-estruturada, entrevista estruturada
Aprofundamento - entrevista não estruturada, entrevista semi-estruturada
Exploração - entrevista não estruturada


A Entrevista


“É um processo de interacção social entre duas pessoas na qual uma delas, o entrevistador, tem por objectivo a obtenção de informações por parte do outro, o entrevistado”. (Haguette, 1997)

“A entrevista é uma conversa com um objectivo” (Bingham e Moore, 1924)

“A entrevista é um encontro interpessoal que se desenrola num contexto e numa situação social determinados, implicando a presença de um profissional e de um leigo.” (Ghiglione & Matalon, 1997)

“A entrevista é um método de recolha de informações que consiste em conversas orais, individuais ou de grupos, com várias pessoas seleccionadas cuidadosamente, cujo grau de pertinência, validade e fiabilidade é analisado na perspectiva dos objectivos da recolha de informações.” (Ketele, 1999)

Asking questions and getting answers is much a harder task than it may seem at first. (Fontana & Frey, 1994: p. 361)

A Entrevista e a sua relação com a investigação

A entrevista, como principal fonte de recolha de dados é utilizada sobretudo em estudos qualitativos que pretendem fazer uma investigação exploratória-descritiva, interpretativa, sobre sujeitos, factos ou situações.

O método da entrevista distingue-se pela aplicação dos processos fundamentais de comunicação e de interacção humana. Correctamente valorizados, estes processos permitem ao investigador retirar das suas entrevistas informações e elementos de reflexão muito ricos e matizados. O entrevistado exprime as suas percepções de um acontecimento ou de uma situação, as suas interpretações ou as suas experiências.

Assim o seu uso é recomendável em duas situações típicas, segundo Carmo e Ferreira (1998):
- nos casos em que o investigador tem questões relevantes, cuja resposta não encontra na documentação disponível ou tendo-a encontrado não lhe parece fiável, sendo necessária comprová-la;
- nos casos em que o investigador deseja ganhar tempo e economizar energias recorrendo a informadores qualificados como especialistas no campo da sua investigação ou líderes da população - alvo que pretende conhecer.

Segundo Fortin, (1999) a entrevista preenche geralmente 3 funções:
- servir de método exploratório para examinar conceitos, relações entre as varáveis e conceber hipóteses;
- servir de principal instrumento de medida de uma investigação;
- servir de complemento a outros métodos, tanto para explorar resultados não esperados, como para validar os resultados obtidos com outros métodos ou para aprofundar.




quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vantagens e desvantagens da recolha de dados através de questionário

Vantagens

- É útil para diversos tipos de investigação;
- Permite obter diferentes tipos de conteúdos;
- Permite medir atitudes; - Pode evidenciar raciocínios e formas de estar;
- Mais barato que outras técnicas (principalmente quando entregue directamente ou por e-mail, pois evita as deslocações);
- Permite aplicação "piloto" para o testar;
- Pode ser administrado, com carácter anónimo, em grupos ou individualmente;
- Pode ter um grau de validade e fiabilidade bastante alto;
- Permite análise fácil de questões de resposta fechada dado que permite a recolha de informação exacta;
- Questões de resposta aberta podem fornecer informações detalhadas nas palavras do inquirido; - A resposta, por escrito, a questões potencialmente embaraçosas, não o é tanto para os inquiridos, como por exemplo através da entrevista pessoal;
- As respostas às questões colocadas não estarão tão sujeitas a enviesamentos e interpretações duvidosas;
- Possibilita uma mais fácil sistematização dos resultados e contribui para simplificar e automatizar o processo de análise e tratamento dos dados;
- É de fácil operacionalização, podendo ser aplicado a uma amostra de grande dimensão, num curto espaço de tempo;
- Maior rapidez na recolha e análise de dados.

Desvantagens

- Os inquiridos podem procurar responder o que consideram que é esperado ou socialmente mais correcto;
- Os inquiridos podem não ter conhecimento ou não se lembrar de todos os dados;
- As questões de resposta aberta podem levar a respostas pouco claras ou superficiais devido à linguagem utilizada e/ou ao domínio linguístico do inquirido;
- Pode exigir muito tempo para a análise dos itens de resposta aberta;
- Exige bastante planeamento e muito cuidado na sua elaboração, para que efectivamente possa assegurar o cumprimento dos objectivos, dado que a sua concepção se reveste de alguma complexidade;
- Poderá ser difícil motivar os inquiridos a responder ao questionário, sobretudo, quando aplicado por e-mail ou correio tradicional (o que normalmente origina uma elevada taxa de "não respostas", algo que será particularmente verdade quando o tipo de questões não tem utilidade ou algum tipo de relação com o inquirido);
- Se houver alguma dúvida no preenchimento do questionário, não haverá hipótese de esclarecimento;
- Não possibilita a introdução de dados suplementares, a não ser que se recorram a outras técnicas de recolha de dados;
- Pode não ser aplicável a toda a população.


( excerto das conclusões da discussão intragrupo Azul)

Hill, M.M; Hill, A. ( 2000). Investigação por questionário. Lisboa: Edições Sílabo.

Cuidados a ter na construção de um questionário


Os cuidados a ter em conta na construção de um bom questionário, passam por três aspectos essenciais, ligados entre si e que são os seguintes:




- Definição do tipo de resposta mais adequado a cada pergunta;
- Definição do tipo de escala de medida a associar às respostas;
- Definição da metodologia para análise dos dados.


Nesse sentido, haverá que:


- Listar todas as variáveis de investigação, incluindo as características dos casos;
- Especificar o número de perguntas para medir cada uma das variáveis;
- Escrever uma versão inicial para cada pergunta;
- Pensar na natureza da primeira Hipótese Geral, bem como nas variáveis e perguntas a ela associadas;
- Decidir as técnicas e estatísticas adequadas para testar a hipótese, consoante o tipo de Hipótese Geral, tendo em atenção os pressupostos destas técnicas;
- Decidir o tipo de resposta desejável para cada pergunta associada à Hipótese Geral;
- Definição da Hipótese Operacional;
- Considerar as perguntas iniciais (e tipos de resposta) associadas com a primeira Hipótese Operacional e trabalhá-las para obter uma versão final a incorporar no questionário;
- Verificar se as versões finais das perguntas e das respostas ainda estão adequadas para testar a Hipótese Operacional, face às mudanças que possam ter sido introduzidas;
- Definir as instruções para cada pergunta de modo a informar o respondente sobre como deverá responder;
- Planear as secções do questionário.
(excerto das conclusões da discussão intragrupo Azul)


O Teste piloto e a avaliação do questionário

É francamente desejável fazer um teste-piloto sobre o questionário e revê-lo com base nos resultados desse teste. Aplicando um teste-piloto a um grupo de sujeitos que constituem parte da população intencional do teste, mas que não irão fazer parte da amostra, procura-se determinar se os itens do questionário possuem as qualidades inerentes à medida e discriminabilidade referidas.
Um teste piloto pode revelar uma variedade de imperfeições. Se, por exemplo, os sujeitos respondem de modo idêntico a qualquer um dos itens é provavelmente porque há falta de discriminabilidade. Se um item receber uma preponderância de respostas inadequadas, deve ser examinado para verificar se é ambíguo ou se se está mal formulado.
As orientações dadas deficientemente e outros problemas de administração tornam-se evidentes, num teste piloto. Se os sujeitos recusarem responder a determinados itens, devem reformular-se para os tornar menos sensíveis. Os testes piloto, por conseguinte, dão aos investigadores a possibilidade de remover as deficiências dos questionários, diagnosticando e corrigindo essas imperfeições.
excertos de Tuckman, B.W. ( 2005). Manual de Investigação em Educação. Lisboa:Fundação Calouste Gulbenkian. (p.335-336)

terça-feira, 10 de junho de 2008

A construção do Questionário

A construção de um Questionário (concepção, planeamento e elaboração) implica os seguintes aspectos:

- Estabelecimento da ligação entre os Objectivos da Investigação e os assuntos que os traduzem nas diferentes questões a enunciar;
- Seleccionar as questões para cada assunto principal;
- Seleccionar o tipo de questões a colocar:
- De identificação (destinam-se a identificar o inquirido);
- De informação (destinam-se a recolher factos e opiniões do inquirido);
- Abertas/fechadas;
- Simples/escolha múltipla;
- Classificativa utilizando escala numérica ou escala valorativa (por grau de importância, satisfação, etc.);

- De descanso (introduzem intencionalmente uma pausa, para mudar de assunto ou para introduzir perguntas com um maior grau de dificuldade);
- De controlo (destinam-se a verificar a veracidade de outras).
- Sequencializar as questões (sequência lógica agrupando as questões similares);
- Organização e composição do Questionário:
- O questionário deve ter um título e ser datado;
- O questionário deve ter o contacto do observador/investigador;
- O questionário deve ter uma introdução;
- As questões devem ser numeradas;
- Ter atenção ao layout do questionário (n.º de questões, tipo, estilo e tamanho da letra, destaques, etc.), de forma a ser motivador e claro para quem vai responder.

A introdução do Questionário deve incluir informação sobre:
- O contexto real da investigação;
- A garantia de confidencialidade do questionário;
- Os procedimentos a ter em conta no seu preenchimento;
- Os prazos a observar (para assegurar a devolução do questionário em tempo útil).


(Excerto das conclusões da discussão intragrupo Azul)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O questionário - relação com os objectivos de uma investigação

" [O questionário]consite em colocar a um conjunto de inquiridos, geralmente representativo de uma população, uma série de perguntas relativas à sua situação social, profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude em relação a opções ou a questões humana e sociais, às expectativas, ao seu nível de conhecimento ou de consciência de um acontecimento ou de um problema, ou ainda sobre qualquer outro ponto que interesse os investigadores".(Quivy & Campenhoudt,1992:190)

É um instrumento de recolha de dados característico de uma metodologia quantitativa, quando se pretende que os números “falem por si”, de forma a evitar situações interpretativas e, por isso, mais subjectivas.

Permite, entre outros aspectos, estimar grandezas absolutas (percentagens), grandezas relativas (proporções), descrever um tipo de população, verificar hipóteses sob a forma de relações entre duas ou mais variáveis.

Relacionando a utilização dum Questionário com os Objectivos duma Investigação, pode afirmar-se que…

- A utilização do questionário é particularmente relevante em investigação empírica (aquela em que se fazem observações para melhor compreender o fenómeno a estudar), independentemente do tipo de investigação empírica em causa (pura, aplicada ou aplicável);
- São as hipóteses da investigação que permitem ligar a parte teórica da investigação à parte empírica (planeamento e execução do trabalho empírico) da mesma. Deste modo, as hipóteses "devem justificar o trabalho da parte empírica da investigação" (Hill, M. & Hill, A., 2005: 22);
- O questionário possibilita que se obtenham os dados que vão permitir testar, de modo adequado, as hipóteses da investigação, já que nas investigações onde o questionário é utilizado, a maioria das variáveis é medida a partir das questões nele contidas;
- O questionário deve permitir testar adequadamente as hipóteses operacionais (especificadas a partir das hipóteses gerais) e, por isso, estas deverão estar definidas antes da utilização do questionário, com vista à recolha de dados.

(conclusões da discussão gerada intragrupo Azul)

domingo, 8 de junho de 2008

Revisão da literatura de investigação II

Sugestões de como proceder para uma revisão da literatura

1º - Num primeiro momento, evitar-se-á o mais possivel começar logo a ler calhamaços enormes e indigestos antes de se ter a certeza de não se poder passar sem eles. Orientar-no-emos mais para as obras que apresentam uma reflexão de síntese, ou para artigos de algumas dezenas de páginas. É preferível, com efeito, ler de modo aprofundado e crítico alguns textos bem escolhidos a ler superficialmente milhares de páginas.

2º
- Procurar, na medida do possível, documentos cujos autores não se limitem a apresentar dados, mas incluam também elementos de análise e de interpretação. São textos que levam a reflectir e que não se apresentam simplesmente como insípidas descrições pretensamente objectivas do fenómeno estudado.

3º
- Ter o cuidado de recolher textos que apresentem abordagens diversificadas do fenómeno estudado. Não só não serve de nada ler dez vezes a mesma coisa, como, além disso, a preocupação de abordar o objecto de estudo de um ponto de vista esclarecedor implica que se possam confrontar perspectivas diferentes. Esta preocupação deve incluir, pelo menos nas investigações de um certo nível, a consideração de textos mais teóricos que, não se debruçando necessariamente, de forma directa, sobre o fenómeno estudado, apresentem modelos de análise susceptíveis de inspirar hipóteses particularmente interessantes.

4º
- Oferecer-se, a intervalos regulares, períodos de tempo consagrados à reflexão pessoal e às trocas de pontos de vista com colegas ou pessoas experientes. Um espírito atulhado nunca é criativo.

Excertos tirados de Quivy &Campenhoudt (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva. (pp.50-51)

Revisão da literatura de investigação


Se um estudo de investigação não se alicerce no trabalho de outros investigadores na área de estudo, então é muito pouco provável que ele contribua para o conhecimento educacional.

O tempo despendido com a revisão de literatura é um tempo bem aplicado porque ajuda o investigador a desenvolver uma compreensão mais profunda do problema e pode poupar tempo em fases posteriores do processo de investigação

Os vários propósitos que a revisão de literatura pode servir num estudo de investigação:
- Delimitar o problema de investigação
- Descobrir novas linhas de inquirição.
- Evitar abordagens inúteis.
- Obter insights metodológicos.
- Identificar recomendações para investigação futura.
- Procurar apoio para uma teoria enraizada.


Principais Etapas da Revisão de Literatura



Etapa 1: pesquisar fontes preliminares. O investigador necessitará de identificar livros, artigos, textos profissionais e outras publicações que são relevantes para o seu problema. As fontes preliminares, à semelhança do índice de conteúdo de uma biblioteca, são índices para domínios particulares de literatura que constituem uma ajuda essencial nesta tarefa. Procurando um tópico particular num índice de conteúdo de uma biblioteca (e.g., educação matemática), o investigador pode encontrar todos os livros da biblioteca que pertencem àquele tópico. Contudo, as fontes preliminares são mais vastas porque incluem em índice todos os tipos de publicações (não apenas os livros) existentes em diferentes em diferentes locais (não apenas numa biblioteca particular).


Etapa 2: usar fontes secundárias. No exame das fontes preliminares, o investigador pode descobrir que outros investigadores já escreveram revisões de literatura que são relevantes para o seu problema. Estas revisões são exemplos de fontes secundárias. Uma fonte secundária é um documento escrito por alguém que não efectuou a investigação, desenvolve teorias ou exprime as opiniões que têm sido sintetizadas numa revisão de literatura.


Etapa 3: ler fontes primárias. Geralmente, as fontes secundárias revêem muitos estudos de investigação, mas nunca em detalhe. Por esta razão, o investigador necessitará de obter e estudar relatórios originais, pelo menos daqueles estudos que são mais centrais para a investigação proposta. Estes relatórios originais são chamados fontes primárias. Uma fonte primária é um documento (e.g., um artigo de revista ou uma dissertação) que foi escrito pela pessoa que conduziu o estudo de investigação ou que formulou a teoria ou as opiniões descritas no documento.


Etapa 4: sintetizar a literatura. Depois de lidas todas as fontes primárias e secundárias relevantes, é necessário sintetizar o que foi aprendido em ordem a escrever uma revisão de literatura. O propósito da revisão de literatura é informar o leitor sobre o que já é conhecido e o que ainda não é conhecido, acerca dos problemas ou questões que se pretendem estudar. É necessário também tornar claro como o estudo proposto se relaciona e se alicerça na base de conhecimento existente, tal como é representada na literatura.

Frequentemente estas quatro etapas do processo de revisão de literatura não são executadas estritamente em sequência. Por exemplo, quando o investigador procede à revisão de literatura relevante para o seu problema, ele pode chegar à conclusão que pretende reformular o seu problema, implicando, consequentemente, estabelecer uma nova direcção para a pesquisa de literatura. O investigador pode concluir que as fontes primárias e secundárias, identificadas através das fontes preliminares, estavam relacionadas apenas indirectamente com o problema. Neste caso, é necessário voltar à primeira etapa e encontrar fontes preliminares mais relevantes.


excertos retirados de www.prof2000.pt/users/a9641140/uminho/nova%20pasta/capítulo%204-revisão%20de%20literatura.doc


domingo, 1 de junho de 2008

Fases / Etapas de uma Investigação


Na sequência do debate intra-grupo ( Grupo Azul) e das pesquisas e estudo efectuados, concluiu-se que um Projecto de Investigação se pode estruturar nas seguintes Fases:

- Fase de Ruptura;
- Fase de Construção;
- Fase de Verificação;
- Fase de Validação.

Cada uma destas Fases engloba um conjunto de Etapas que contribui para a finalidade da respectiva Fase, mas que são suficientemente diferenciadas entre si para poderem ser consideradas de forma individualizada.


1. Fase de Ruptura


Esta fase consiste na ruptura com os preconceitos e falsas evidências dadas pelo senso comum ou baseadas em conhecimentos parcelares da realidade a investigar. Diz-se de ruptura pois, ao criar as condições para que o estudo/investigação ocorra, implica uma alteração no statu quo do conhecimento, que até esse momento era dado como final ou inquestionável.
Corresponde às seguintes Etapas (pela ordem indicada):


- Identificação do assunto/tema a estudar/investigar;
- Definição dos objectivos do estudo/investigação;
- Exploração/Pesquisa (leituras preliminares e entrevistas exploratórias);
- Definição do problema e formulação da(s) hipótese(s);
- Enquadramento e justificação da relevância do estudo/investigação;
- Definição das limitações do estudo/investigação;
- Definição das questões que irão nortear a investigação e às quais se pretende dar resposta;
- Definição de termos (palavras-chave);
- Revisão bibliográfica sobre a área de interesse.


2. Fase de Construção

Esta fase consiste na elaboração de um sistema conceptual organizado e lógico, explicitando o assunto a investigar e o plano de acção para a investigação. Diz-se de construção pois é nela que é materializado tudo aquilo que vai servir de suporte, em termos das condições e modelo de análise, ao decurso da Investigação propriamente dita.
Corresponde às seguintes Etapas (pela ordem indicada):


- Estabelecimento/Definição do tipo de Paradigma de Investigação que serve de referência ao estudo/investigação;
- Estabelecimento do plano de investigação (com indicação e descrição do plano experimental, se este estiver previsto);
- Definição da Metodologia de estudo/investigação a utilizar;
- Identificação da natureza, justificação e delimitação da amostra sobre a qual irá incidir o estudo/investigação;
- Identificação das variáveis do estudo/investigação;
- Definição do design do estudo/investigação:
> Construção do modelo de análise;
> Definição do modo como o estudo/investigação será operacionalizado(a) (técnicas de investigação a utilizar);
> Definição do modo como o estudo/investigação será conduzido(a) (recursos humanos, materiais e calendarização do projecto, incluindo project review milestones).
- Planeamento da recolha, análise e interpretação dos dados:
> Definição do processo/modo como os dados serão recolhidos (técnicas e instrumentos de recolha dos dados);
> Definição do processo/modo como os dados serão analisados (técnicas de análise e modelo de análise);
> Definição do processo/modo como os dados serão interpretados (técnicas e modelo de interpretação).


3. Fase de Verificação

Esta fase consiste na observação, recolha, tratamento, análise e interpretação dos dados que irão permitir verificar o grau de validade da(s) hipótese(s) colocada(s) no início do Projecto de Investigação. É nesta fase que decorre a Investigação propriamente dita, aquilo que normalmente se designa por “Trabalho de Campo”.
Corresponde às seguintes Etapas (pela ordem indicada):


- Observação e Recolha dos dados;
- Tratamento e Análise dos dados;
- Interpretação dos resultados obtidos.

4. Fase de Validação

Esta é a fase conclusiva do Projecto de Investigação e consiste na validação das conclusões decorrentes da interpretação dos resultados (validação interna). Consoante a(s) hipótese(s) colocada(s) inicialmente, nesta fase poderão ser, igualmente, efectuadas generalizações e/ou extrapolações (validação externa), se bem que seja mais normal que esta generalização ocorra a posteriori, numa fase de follow-up do Projecto de Investigação.
Em muitos modelos, esta fase surge incluída na Fase de Verificação, mas, no nosso entender, é mais adequada esta estruturação, dado que, enquanto na Fase de Verificação se procede à colecção dos dados, para posterior tratamento, análise e interpretação, é nesta Fase de Validação que verdadeiramente se confrontam as questões colocadas no início do Projecto de Investigação com as conclusões obtidas na sequência dessa mesma Investigação.
A Fase de Validação corresponde às seguintes Etapas (pela ordem indicada):

- Resultados do estudo/investigação (validação das hipóteses formuladas e formulação das respostas às questões colocadas no início do estudo/investigação);
- Conclusões do estudo/investigação;
- Elaboração do Relatório Final do estudo/investigação.


Fases de Follow-Up dum Projecto de Investigação

5. Fase de Avaliação

Esta fase consiste na realização de uma meta-avaliação sobre o processo da realização da investigação e sobre o Projecto de Investigação, como um todo. É desejável que ocorra, tal como deve acontecer com a avaliação de qualquer projecto.
Corresponde à:

- Avaliação do Projecto de Investigação.


6. Fase de Aplicação
Esta fase decorre da validação externa que permite inferir sobre a possibilidade de se efectuarem (ou não) generalizações e/ou extrapolações, na sequência dos resultados e conclusões dum Projecto de Investigação.
Corresponde à:
- Generalização/Aplicação dos Resultados do estudo/investigação.

O Investigador




Algumas atitudes que o investigador deverá ter:

- empenho no projecto;
- autonomia na aprendizagem;
- crítico;
- rigoroso;
- reflexivo;
- humilde;
- descoberta de novas ideias, novas relações, hipóteses, argumentos e soluções.


A característica mais importante de um investigador é:

“Saber o que não sabe” (Pierre Bourdieu)

sábado, 31 de maio de 2008

Metodologia Mista


As duas formas de abordagem — quantitativa e qualitativa — são frequentemente retratadas como paradigmas distintos e incompatíveis em investigação educacional (Shaffer & Serlin, 2004). No entanto, reconhecendo-se que diferentes métodos de análise são úteis porque se dirigem para diferentes tipos de questões, começaram-se a utilizar simultaneamente ambos os tipos de técnicas — qualitativas e quantitativas.
Como afirmam Shaffer e Serlin (2004:23):

"Os métodos qualitativos e quantitativos são, em última análise, métodos para garantir a apresentação de uma amostra adequada. Ambos constituem tentativas para projectar um conjunto finito de informação para uma população mais ampla: uma população de indivíduos no caso do típico inquérito quantitativo, ou uma colecção de observações na análise qualitativa. [...] O objectivo em qualquer análise é adequar a técnica à inferência, a afirmação à comprovação. As questões que se colocam a um investigador são sempre: Que questões merecem ser levantadas nesta situação? Que dados poderão lançar luz sobre estas questões? E que métodos analíticos poderão garantir afirmações, baseadas em dados, sobre aquelas questões? Responder a estas questões é uma tarefa que envolve necessariamente uma profunda compreensão das potencialidades e limites de uma variedade de técnicas
quantitativas e qualitativas."
Reichardt e Cook (1986), citados por Carmo e Ferreira (1998:184) indicam as vantagens de combinar métodos, nomeadamente quando se trata de trabalhos de investigação com propósitos múltiplos, pois o facto de se utilizarem métodos diferentes pode permitir uma melhor compreensão dos fenómenos.


Triangulação
( Carmo & Ferreira, 1998:184)

Patton (1990) afirma que uma forma de tornar um plano de investigação mais "sólido" é através da triangulação, isto é, da combinação de metodologias no estudo dos mesmos fenómenos ou programas. Tal significa que, de acordo com o mesmo autor, utiliza diferentes métodos ou dados, incluindo a combinação de abordagens quantitativas e qualitataivas.
São identificados quatro tipos de triangulação:
- Triangulação de dados - o uso de uma variedade de fontes num mesmo estudo;
- Triangulação de investigadores - o uso de vários investigadores ou avaliadores;
- Triangulação de teorias - o uso de várias perpectivas para interpretar um mesmo conjunto de dados;
- Triangulação metodológica - o uso de diferentes métodos para estudar um dado problema ou programa.
A lógica da triangulação é que cada método revela diferentes aspectos da realidade empírica e consequentemente devem utilizar-se diferentes métodos de observação da realidade.

Problemas associados à triangulação:
- custo
- tempo
- experiência e competência do investigador na utilização dos dois tipos de métodos de modo a utilizá-los eficazmente.

Paradigmas Quantitativo e Qualitativo - II

Apresenta-se um outro quadro síntese evidenciando as características de cada um dos paradigmas.



Adaptado de um documento elaborado por Maria do Rosário Pinheiro (FPCE-UC) e disponibilizado em https://woc.uc.pt/fpce/getFile.do?tipo=2&id=1850

Paradigmas Qualitativo e Quantitativo

Tradicionalmente a investigação qualitativa e a investigação quantitativa estão associadas a paradigmas. A distinção entre paradigmas diz respeito à produção do conhecimento e ao processo de investigação e pressupõe existir uma correspondência entre epistemologia, teoria e método. No entanto, a distinção é usualmente empregada ao nível do método. Cada tipo de método está portanto ligado a uma perpectiva paradigmática distinta e única. ( Carmo & Ferreira, 1998:175)


Os Paradigmas em Investigação - quadro comparativo


Adaptado de GUBA, E. & LINCOLN, Y. (1994) Competing paradigms in Qualitative Research. In N. DENZIN & Y. LINCOLN (eds) Handbook of Qualitative
Research. London: Sage Publications, pp. 105-117

Disponibilizado em http://faadsaze.googlepages.com/ComparaoParadigmas.pdf



domingo, 18 de maio de 2008

Método, Metodologia e Técnicas de Investigação – conceitos



Método - Trata-se do critério para obtenção do conhecimento científico, é a própria lógica da investigação científica.
Os principais métodos gerais são : indutivo, dedutivo, dialético, fenomenológico e hipotético-dedutivo.


O método indutivo, defendido por Bacon e outros empiristas, estabelece uma conexão ascendente, isto é, parte do caso particular para o geral, deixando a generalização como produto posterior da colecta de dados particulares, em número suficiente para confirmarem a suposta realidade.


O método dedutivo, por outro lado, parte do geral ao particular. A partir de princípios, leis ou teorias consideradas verdadeiras e indiscutíveis, prediz a ocorrência de casos particulares com base na lógica. Esse método é tradicionalmente definido como um “conjunto de proposições particulares contidas em verdades universais.”


O método dialéctico, por sua vez, parte da premissa de que, na natureza, tudo se relaciona, se transforma e há sempre uma contradição inerente a cada fenómeno. Nesse tipo de método, para conhecer determinado fenómeno ou objecto, o pesquisador precisa estudá-lo em todos os seus aspectos, relações e conexões, sem tratar o conhecimento como algo rígido, já que tudo no mundo está sempre em constante mudança.


O método fenomenológico, em contrapartida, limita-se aos aspectos essenciais e intrínsecos do fenómeno, sem lançar mão de deduções ou empirismos, buscando compreendê-lo por meio da intuição, visando apenas o dado, o fenómeno, não importando sua natureza real ou fictícia.


Popper propôs o método hipotético-dedutivo, o qual se inicia com um problema ou lacuna no conhecimento científico, passando pela formulação de hipóteses e por um processo de inferência dedutiva, o qual testa a predição da ocorrência de fenômenos abrangidos pela referida hipótese. […] A pesquisa científica com abordagem hipotético-dedutiva inicia-se com o descobrimento de um problema e com sua descrição clara e precisa, a fim de facilitar a obtenção de um modelo simplificado e a identificação de outros conhecimentos e instrumentos, relevantes ao problema, que auxiliarão o pesquisador em seu trabalho. Após esse estudo preparatório, o pesquisador passa para a fase de observação. Na verdade, essa é a fase de teste do modelo simplificado. É uma fase meticulosa em que é observado um determinado aspecto do universo, objecto da pesquisa. A fase seguinte é a formulação de hipóteses, ou descrições-tentativa, consistentes com o que foi observado. Essas hipóteses são utilizadas para fazer prognósticos, os quais serão comprovados ou não por meio de testes, experimentos ou observações mais detalhadas. Em função dos resultados desses testes, as hipóteses podem ser modificadas, dando início a um novo ciclo, até que não haja discrepâncias entre a teoria (ou modelo) e os experimentos e/ou observações.


Metodologia - É o estudo dos métodos. Tem por finalidade ajudar-nos a compreender em termos mais amplos possíveis o processo de investigação científica. A metodologia é a lógica do procedimento científico.


Técnicas de Investigação - São procedimentos específicos através dos quais o pesquisador reune e ordena os dados antes de submeter-los a operações lógicas ou estatísticas. As técnicas referem-se aos elementos do método e não devem ser confundidos com o método em si. São exemplos de técnicas: realização de entrevista, aplicação de questionários, análise documental, entre outros.