W. F. Dearborn
“Nem acção sem investigação nem investigação sem acção”
Kurt Lewin

De acordo com vários autores, destacamos as seguintes características da Investigação-Acção:
Participativa e colaborativa, no sentido em que implica todos os intervenientes no processo. Todos são co-executores na pesquisa. O investigador não é um agente externo que realiza investigação com pessoas, é um co-investigador com e para os interessados nos problemas práticos e na melhoria da realidade, (Zuber –Skerritt,1988);
Prática e interventiva, pois não se limita ao campo teórico, a descrever uma realidade, intervém nessa mesma realidade. A acção tem de estar ligada à mudança, é sempre uma acção deliberada (Coutinho, 2005);
Cíclica, porque a investigação envolve uma espiral de ciclos, nos quais as descobertas iniciais geram possibilidades de mudança, que são então implementadas e avaliadas como introdução do ciclo seguinte. Temos assim um permanente entrelaçar entre teoria e prática, (Cortesão, 1998, citado em Coutinho, 2005:222);
Critica, na medida em que a comunidade crítica de participantes não procura apenas melhores práticas no seu trabalho, dentro das restrições sociopolíticas dadas, mas também, actuam como agentes de mudança, críticos e autocríticos das eventuais restrições. Mudam o seu ambiente e são transformados no processo (Zuber-Skerritt,1992).

Podemos, assim, afirmar que a Investigação-acção é uma metodologia dinâmica, “uma espiral de planeamento e acção e busca de factos sobre os resultados das acções tomadas, um ciclo de análise e reconceptualização do problema, planeando a intervenção, implementando o plano, avaliando a eficácia da intervenção” (Matos, 2004).
Técnicas e Instrumentos de recolha de dados
António Latorre divide as técnicas utilizadas em três categorias:
Técnicas baseadas na observação – estão centradas na perspectiva do investigador, em que este observa em directo e presencialmente o fenómeno em estudo;
Técnicas baseadas na conversação – estão centradas na perspectiva dos participantes e enquadram-se nos ambientes de diálogo e de interacção;
Análise de documentos – centra-se também na perspectiva do investigador e implica uma pesquisa e leitura de documentos escritos que se constituem como uma boa fonte de informação.
Estas técnicas e instrumentos podem ainda classificar-se do seguinte modo:

Modalidades de Acção-Investigação
Tal como noutras metodologias, a Investigação-Acção também apresenta diferentes formas de a realizar, dependendo das situações, dos contextos, das pessoas e das condições em que se processa.
A seguinte tabela apresenta uma descrição dessas mesmas modalidades:

Posicionamento da Investigação-Acção face a um Paradigma
Embora partilhando as perspectivas dos paradigmas positivista e interpretativo e utilizando metodologias quantitativas e qualitativas, alguns investigadores consideram que a Investigação-Acção não se encaixa em nenhum dos paradigmas anteriores. Argumentam que existe uma maior aproximação ao paradigma crítico já que a sua intenção não é apenas entender os fenómenos mas mudá-los.

