sábado, 31 de maio de 2008

Metodologia Mista


As duas formas de abordagem — quantitativa e qualitativa — são frequentemente retratadas como paradigmas distintos e incompatíveis em investigação educacional (Shaffer & Serlin, 2004). No entanto, reconhecendo-se que diferentes métodos de análise são úteis porque se dirigem para diferentes tipos de questões, começaram-se a utilizar simultaneamente ambos os tipos de técnicas — qualitativas e quantitativas.
Como afirmam Shaffer e Serlin (2004:23):

"Os métodos qualitativos e quantitativos são, em última análise, métodos para garantir a apresentação de uma amostra adequada. Ambos constituem tentativas para projectar um conjunto finito de informação para uma população mais ampla: uma população de indivíduos no caso do típico inquérito quantitativo, ou uma colecção de observações na análise qualitativa. [...] O objectivo em qualquer análise é adequar a técnica à inferência, a afirmação à comprovação. As questões que se colocam a um investigador são sempre: Que questões merecem ser levantadas nesta situação? Que dados poderão lançar luz sobre estas questões? E que métodos analíticos poderão garantir afirmações, baseadas em dados, sobre aquelas questões? Responder a estas questões é uma tarefa que envolve necessariamente uma profunda compreensão das potencialidades e limites de uma variedade de técnicas
quantitativas e qualitativas."
Reichardt e Cook (1986), citados por Carmo e Ferreira (1998:184) indicam as vantagens de combinar métodos, nomeadamente quando se trata de trabalhos de investigação com propósitos múltiplos, pois o facto de se utilizarem métodos diferentes pode permitir uma melhor compreensão dos fenómenos.


Triangulação
( Carmo & Ferreira, 1998:184)

Patton (1990) afirma que uma forma de tornar um plano de investigação mais "sólido" é através da triangulação, isto é, da combinação de metodologias no estudo dos mesmos fenómenos ou programas. Tal significa que, de acordo com o mesmo autor, utiliza diferentes métodos ou dados, incluindo a combinação de abordagens quantitativas e qualitataivas.
São identificados quatro tipos de triangulação:
- Triangulação de dados - o uso de uma variedade de fontes num mesmo estudo;
- Triangulação de investigadores - o uso de vários investigadores ou avaliadores;
- Triangulação de teorias - o uso de várias perpectivas para interpretar um mesmo conjunto de dados;
- Triangulação metodológica - o uso de diferentes métodos para estudar um dado problema ou programa.
A lógica da triangulação é que cada método revela diferentes aspectos da realidade empírica e consequentemente devem utilizar-se diferentes métodos de observação da realidade.

Problemas associados à triangulação:
- custo
- tempo
- experiência e competência do investigador na utilização dos dois tipos de métodos de modo a utilizá-los eficazmente.

Paradigmas Quantitativo e Qualitativo - II

Apresenta-se um outro quadro síntese evidenciando as características de cada um dos paradigmas.



Adaptado de um documento elaborado por Maria do Rosário Pinheiro (FPCE-UC) e disponibilizado em https://woc.uc.pt/fpce/getFile.do?tipo=2&id=1850

Paradigmas Qualitativo e Quantitativo

Tradicionalmente a investigação qualitativa e a investigação quantitativa estão associadas a paradigmas. A distinção entre paradigmas diz respeito à produção do conhecimento e ao processo de investigação e pressupõe existir uma correspondência entre epistemologia, teoria e método. No entanto, a distinção é usualmente empregada ao nível do método. Cada tipo de método está portanto ligado a uma perpectiva paradigmática distinta e única. ( Carmo & Ferreira, 1998:175)


Os Paradigmas em Investigação - quadro comparativo


Adaptado de GUBA, E. & LINCOLN, Y. (1994) Competing paradigms in Qualitative Research. In N. DENZIN & Y. LINCOLN (eds) Handbook of Qualitative
Research. London: Sage Publications, pp. 105-117

Disponibilizado em http://faadsaze.googlepages.com/ComparaoParadigmas.pdf